Segunda-feira, 17 de Julho de 2006

Oh! Meu Portugal de antanho!...

Oh! Meu Portugal de antanho, como já te perco e quase não vislumbro de tão civilizado que tu estás!

Já tens crimes bárbaros e com os requintes das tortuosas mentes doentias de Hollywood e de outros mestres do cinema-droga que, de rostos sujos e de barbas e cabelos intelectualmente apodrecidos, pelo despudor e pelo vício, pela vaidade e pela ausência de escrúpulos, nos seus delírios de protagonismo a qualquer preço, vão educando, ao seu jeito, uma humanidade pobre de espírito e já quase desprovida de valores!

Sim, nós, por cá, matávamos por questões tão triviais como um muro erguido em terra a partilhar, um desvio de um rego de água para alimentar o pasto de um lameiro, uma infâmia propalada ainda com cheiro ao vinho da taberna ou uma infidelidade conjugal provada ou suspeitada. È certo que se matava. Mas matava-se limpo. De peito descoberto, jogando forte no preço da honra a defender. E quase todos pagaram pelos crimes que cometeram.

Hoje… Hoje mata-se, insidiosamente, sorrateiramente, todos os dias e a toda a hora porque a modernidade e o irresponsável desatino dos desautorizados governos assim o consentem e quase garantem. É a febre do lucro fácil, do gozo fácil, da luxuriante podridão já tão necessária à nova vida urbana como é o ar que respiramos. E os criminosos, os grandes criminosos, vão ficando impunes!

Viajar já não é mais percorrer, caminhar, desbravar, observar e guardar para recordar depois. Hoje, viajar transformou-se num mero acto de mudança de um sítio para o outro, percorrendo em horas o que dantes demoraria dias, meses até, sem tempo para mais que não seja ir...

A publicidade usa a mulher e os seus segredos, que expõe a nu e à voragem de quem deles se aproveita em toda a sorte de negócios alguns operados por gananciosos sem escrúpulos que bebem o sangue dos seus corpos e lhes deixam, depois, a carcaça, a pele e o osso já sem préstimo retirada que foi deles a alma, o mistério e a juventude!

O lucro é hoje olhado como única finalidade da existência e a vida que nos foi confiada estiola-se e gasta-se com um fito único: - produzir! Pelo lucro tudo é feito, tudo é desfeito, tudo é contestado, sofismado e iludido! Vai longe o tempo em que fazíamos guerras por princípios. Hoje guerreamo-nos mais depressa e soezmente por vaidades e mentiras fazendo reinar na política verdadeiros prodígios na velha arte ou ciência de enganar um povo!

Meu Portugal de antanho, onde estás tu?

publicado por Júlio Moreno às 17:19
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