Sexta-feira, 14 de Julho de 2006

Sinto-me de plástico, impermeável…

Recorto e passo aqui o título “Adeus Cabala”, publicado no PD da IOL de hoje e que refere:

“Madonna está insatisfeita com a sua religião. Segundo o jornal "The Independent" a pop star está insatisfeita e poderá, em breve, abandonar a religião Cabala. A mesma fonte revela que as razões estão ligadas com o facto da cantora estar a gastar muito dinheiro e por problemas que a crença estaria a trazer no seio da sua família. Ao mesmo jornal, amigos da Madonna disseram que ela também estava preocupada por não poder celebrar o natal, já que a mesma religião proíbe”.

Fui ver, fui vasculhar tudo o que me permitisse dar ou negar a razão a Madona, até mesmo ao significado etimológico da palavra - [Cabala (também Kabbalah, Qabbala, Cabala, cabbala, cabbalah, kabala, kabalah, kabbala) é um sistema religioso filosófico que reivindica o discernimento da natureza divina. Kabbalah (קבלה QBLH) é uma palavra em hebreu que significa recepção – (inWikipédia, a enciclopédia livre)]” - e de tudo apenas concluí uma coisa, coisa essa de que há muito vinha suspeitando mas de que hoje tive plena certeza e consciência: - julgo que serei hermético e mesmo impermeável a certos fluxos ideológicos tão bem aceites nesta modernidade salobra à qual, definitivamente, não quero pertencer.

É que, na verdade, não consigo compreender como se possa abandonar uma religião que é uma crença, algo que deverá brotar e viver dentro de nós, que nasceu connosco, cresceu connosco, connosco tomou consciência de que existe, vive, sofre e contesta connosco sem que nada possamos fazer contra ela, sem que nada tivéssemos ou possamos vir a fazer em favor dela, assistindo, impotentes, às suas mutações e apenas nos restando verificar e aquilatar da sua existência porque, tal como o nosso espírito, ela é intocável, etérea, sem dimensão ou forma, mas existe.

Acho que podemos criticá-la quando a julgamos menos condizente com os nossos desígnios mais íntimos, que podemos, mesmo, renega-la quando afronta outros desejos insatisfeitos. Mas trocá-la?!... Trocá-la, talvez, como quem troca de camisa, escolhendo, dentre várias, a que melhor condiga com o momento ou excisando-a, ficando a peito nu?

Tal eventualidade afigura-se-me tão absurda e tão impossível como o agnosticismo e, por isso, deverei considerá-la mesmo como se não existisse e nunca tivesse existido. Mas o “The Independent”, jornal que não julgo capaz de vender papel ao quilo, com mais ou menos tinta, dá-lhe este relevo sensacional, explicita-o, o Portugal Diário publicita-o e logo passa à frente tratando de algo mais que tenha acontecido neste mundo de estupefacção em que me sinto viver!

Trata-se de Madona. Uma mulher sem graça que, para muitos, se transformou, ela própria, em religião. Uma mulher livre-trânsito para aqueles que, sem norte, procuram um rumo na imensa solidão da sua triste ignorância… Será que sou eu que sou mesmo impermeável ou, de algum modo, terei tendências algo demagógicas?

publicado por Júlio Moreno às 13:23
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1 comentário:
De ela a 14 de Julho de 2006 às 15:24
No meu pensar, simplesmente se trata de manter "viva" uma carreira profissional que se nao houvessem "headlines" se extinguiriam as brasas do seu talento. Talento que tem sido mais em se saber vender do que talento profissional. Temos de lhe dar credito de se saber "reinventar" constantemente, pois nunca tao pouco talento deu tanto lucro. O som do meu comentario e negativo, mas gostaria que nao fosse. Nao conheco a Madona, seria imensamente arrogante adivinhar os seus motivos. Religiao e uma coisa tao individual; concordo que ha quem a troque conforme os estilos trocam. Outros, porque realmente ainda nao encontraram o que lhes satisfaz o espirito. Nao es de plastico. Tens sorte em ser o tipo de pessoa que sabes quem es, o que acreditas e o que queres. Isso e uma das qualidades que te fazem um ser digno de ser conhecido e respeitado.


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