Quinta-feira, 6 de Julho de 2006

Rescaldo de um desafio de futebol

Gosto de futebol com peso, conta e medida. De certos jogos. Talvez quando haja mais qualquer coisa que, para além do jogo, verdadeiramente se discuta. Talvez questões de identidade nacional, de amor pátrio, resquícios de história que terão ficado por contar, sei lá! Qualquer coisa que transcenda, e em muito, o virtuosismo do jogo e os passes mágicos feitos com a bola.

Foi com este espírito que segui, atento, o campeonato do mundo em que participamos apetecendo-me abraçar, um por um, aqueles homens que tão abnegadamente se esforçaram ao longo deste mês e meio que levamos de emoção!

O senhor árbitro do Portugal - França esteve mal, muito mal mesmo. Da sua má actuação resultaram jogadas inverosímeis, que deveriam ter sido interrompidas à nascença e mereceriam cartões, no mínimo, amarelos. Manifestou um enorme desleixo, a roçar a incompetência, na condução do jogo e uma claríssima dualidade de critérios quanto aos “penalties”, o que assinalou e o que deixou por assinalar.

Enquanto os resultados dos jogos ficarem "exclusivamente" entregues aos senhores do apito e não tenham de ser obrigatoriamente validados através da visualização, "a posteriori" e no prazo de poucas horas, por um credível júri de arbitragem, dos lances mais importantes e polémicos, susceptíveis de terem determinado o resultado provisório, os desafios de futebol nunca serão efectivamente ganhos pelos esforçados jogadores que suam, se esforçam e se lesionam mas sim por uma qualquer eminência parda, mancomunada com a que corre, corre pelo campo como uma barata tonta, mas cujo moral se desconhece, e as reais intenções e hábitos também.

Depois, o consagrado costume, de “bom tom”, (não confundir com “fair play”) de tolerar as arbitragens só porque não ficará bem dizer aquilo que nos vai na alma, embora politicamente correcto, terá de acabar e, em casos como este, não é só um jogo que estará em causa, são milhares ou milhões de adeptos que, tal como eu, se sentem lesados, ofendidos e impedidos de ripostar, a começar pelos próprios jogadores, bem ao contrário do que já antes outros fizeram ao correrem com Junot e Companhia deste nosso país pequenino mas orgulhoso e valente com apenas 110 mil licenciados contra os dois milhões dos traiçoeiros e megalómanos franceses.

A linguagem diplomática e de salão onde o não e o sim se pronunciam “nim” não cabe no mundo do futebol. E, assim sendo, será que vamos continuando a tolerar, ainda que seja só pelas palavras que ficam por dizer, estes napoleõezecos de trazer por casa, megalómanos por tradição e em cujas hostes parecem alinhar tantos franceses de conveniência? Intencionalmente afastados por um poder oculto, que não pela verdade do jogo, o que, por certo, nunca se virá a descortinar, mas onde não deverá ser também alheia a tradicional rivalidade Uruguai – Brasil, restar-nos-á fazer votos para que sejam os italianos a “vingar” a ofensa que nos foi feita e a colocar um ponto final na arrogância desses senhores, não dos jogadores, que esses raramente são os maus da fita, mas sim daqueles que se sentirem tocados pelas linhas que acabo de escrever.

É que, e tanto quanto sei, a Itália têm tantos licenciados quanto a França!...

publicado por Júlio Moreno às 07:33
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