Domingo, 1 de Novembro de 2009

Corrupção - corruptos e corruptores.

Isto que está hoje acontecendo havia, fatalmente, de acontecer e surgir à luz do dia tal era a desfaçatez com que em público se apresentavam, risonhos e felizes, donos de um humor que bem se poderia supor fosse sadio, e ostentando teres, haveres e influências que nunca, ou, pelo menos, muito raramente, trabalho algum honesto lhes poderia ter dado!

São carros caríssimos, aos pares quando não aos trios, de gama alta ou alta cilindrada, como hoje se lê e ouve nos noticiários aos jornalistas, apostados que vão estando em alterar e adulterar a língua pátria, talvez assim designados porque, gastando bastante combustível, emprestem aos seus proprietários bastante maior presença, poder, ostentação e riqueza; - são viagens, para o Brasil. México, Cuba e outras exóticas paragens, pagas, certamente, a preços tão elevados que eu, aqui, nem sequer ouso avaliar; - são presenças quase constantes nas TVs, reduzindo a população deste País, a umas escassas centenas de pessoas - qual políticos, sempre os mesmos – algumas das quais, se tivessem dois dedinhos de testa, nunca se atreveriam a aparecer em público, reservando-se apenas para o seu círculo privado de amigos, que lhes conhecessem, porventura, as virtudes interiores e fossem, caridosa ou interesseiramente, ignorando o invólucro, assim evitando o incómodo que à generalidade de todos os demais vão dando de ver muitos rostos feios, enrugados ou montras ambulantes de cosméticos da moda, corpos sem graça, alguns até disformes, mesmo anquilosados, e que já nem as caríssimas roupas que os cobrem conseguem disfarçar, pequenos monstros e mamarrachos de nomes sonantes e já gastos de tão repetidos que são, na TV e nas capas de revista, toda uma notoriedade que, salvo raríssimas e honradíssimas excepções, tresanda a falsidade e da qual serão eles talvez os únicos a não se darem conta do que à sua volta se passa e vai crescendo: - a suspeição, a dúvida… e, quando não, o paciente acumular das provas…

Tempos houve em que a TV apresentou uma grande série chamada “O Polvo” e que, quanto a mim, muito embora, e felizmente, em grau menos gravoso do quanto aí se via, terá fortes semelhanças com quanto se estará passando hoje nas nossas pseudo elites políticas e empresariais e onde, a despeito das boas, misericordiosas e bem intencionadas “falas” de alguns, maior, mais extenso e mais profundo, se vai cavando o fosso existente entre os que têm muito e os que nada têm!... E tudo isto, se bem que, à partida, muito mau, seria ainda relativamente tolerado na nossa conformada sociedade, onde, desde sempre houve o muito rico e o muito pobre, mas que logo deixa de o ser quando, a tão execrável dicotomia, se junta a acção tentacular, insidiosa e criminosa de um “polvo” ainda bem longe de ser totalmente expurgado da loca onde se acoita isto a despeito da decidida actuação dos “pescadores” que estão sabendo, e bem, manusear as suas fateixas.

E o curioso é que, o que toda a gente vê, não o vêm eles quando, felizes e contentes, na sua tão reles quanto falsa inocência, vão prosseguindo, tranquilos, na senda da vida escabrosa que escolheram, e como se este fora para todos o melhor dos mundos!

Para todos? Mas que disse eu?! Para todos não. Para eles, apenas para eles pois que só eles existem na sua óptica mesquinha e egoísta, totalmente desfocada da realidade do quotidiano e, as mais das vezes, corroída pelas inconfessáveis teias dos seus mútuos e tantas vezes inconciliáveis interesses ilegais e ilegítimos e nos quais tão habilmente parece saberem mover-se isto enquanto se não zangam as comadres…

E são compadrios e negociatas, permutas de favores, ofertas de prendas fabulosas, mercantilismo de influências junto de poderes decisórios das Empresas e do Estado e aos quais o povo, não fora ela, a Justiça, qual Fénix hoje já quase renascida das cinzas, onde já jazeu durante muito tempo, mas longe ainda de poder dar por cumprida a sua missão, nunca teria tido acesso, acaso não fosse o empenho e aguçado engenho de alguns empenhados que estão, ainda que com risco da vida, em por ponto final a tão desbragada folia.

A esses e a quantos mais ainda se empenham nesta luta aparentemente desigual mas que, aos poucos, vai pendendo para o lado certo, o meu bem hajam que mais não é do que o sincero obrigado de um português agradecido.
publicado por Júlio Moreno às 20:15
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