Sábado, 1 de Julho de 2006

Crimes de guerre, offensive contre la paix

« Crimes de guerre, offensive contre la paix « Il est interdit d’utiliser contre les civils la famine comme méthode de guerre (…). Il est interdit d’attaquer, de détruire, d’enlever ou de mettre hors d’usage des biens indispensables à la survie de la population civile. » Les implications de l’article 54 du Protocole additionnel I de 1977 aux conventions de Genève (1) sont claires : le bombardement des centrales électriques à Gaza par l’armée israélienne, le blocus des populations civiles et les punitions collectives contre elles relèvent de crimes de guerre. »

Mão amiga fez-me chegar o artigo do “Le Monde Diplomatique” de ontem (publicado na Internet em http://www.monde-diplomatique.fr/carnet/2006-06-30-Palestine) que nos dá conta dos últimos ataques israelitas sobre Gaza, o território quiçá amaldiçoado tanto por Deus como por Allah, e cujo excerto tomei a liberdade de transcrever acima.

Depois de o ler, e curiosamente, não foram os aspectos aí focados e considerados como crimes de guerra pela Convenção de Genebra, e seu Protocolo adicional, que feriram a minha susceptibilidade e determinaram estas linhas que agora e aqui apressadamente escrevo. O que feriu a minha susceptibilidade e determinou esta minha onda de revolta privada foi o de, pela primeira vez, me ter dado conta do absoluto “non sense” das coisas que se escrevem, que se publicam, que existem e nas quais o mundo, talvez cansado de pensar, vem simplesmente acreditando!

Mas que mundo civilizado é este em que vivemos! Que Código é este que, pretendendo ser sério, permite os ataques contra os povos desde que – como deduzimos da regra invocada - “la famine” não seja utilizada como método de guerra; desde que não sejam destruídos ou tornados indisponíveis os bens indispensáveis à sobrevivência das populações civis? Que Código é este que invoca princípios e postula normas quando os princípios da guerra serão apenas tácticos e essa táctica se resume a matar e a matar bem o inimigo! Mas, se interdita, quem interdita quem e interdita o quê? E se existe, de facto, o poder de interditar, seja pela Convenção de Genebra ou qualquer outra e não se trata apenas de retórica e cruel demagogia – por que não é ele usado "ab initio" para interditar a guerra e impedir, assim, os métodos que ela possa vir a utilizar?

Que absoluto e desprezível “non sense”, sério demais, porém, para não poder ser ignorado e antes comentado, descrito e desacreditado! Com tanta leviandade e sórdida mistificação não admira que tenham existido julgamentos como o de Nuremberga e, na actualidade, exista o de Sadam Hussain, isto enquanto os fautores de Guantanamo, não obstante “condenados”, seguem jogando golfe e condenando à morte centenas de milhares de inocentes que se lhes oponham!

Esta é a verdadeira face da utópica civilização que construímos e em que vamos vivendo tão contentes! Nações Unidas, Parlamentos, nacionais e europeus, Tribunais Internacionais, de que servem? Os tanques entraram em Gaza. Os extremistas islâmicos vão continuar a sua senda de atentados. O senhor Bin Laden acaba de nomear a sua representação no Iraque, o senhor Bush continuará a exorbitar nas suas funções, os jornalistas continuarão a criar notícias sensacionalistas e as editoras a vender papel impresso muitas vezes bastante contaminado.

publicado por Júlio Moreno às 22:27
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2 comentários:
De jmoreno a 2 de Julho de 2006 às 11:51
Obrigado pelo seu comentário, "contoselendas". O Mundo do Mêdo!... interessante tema a desenvolver, pleno de actualidade. Faça-o e dê-me nota que o lerei interessado. Parabéns pelo seu blog. É reparador para a alma.


De contoselendas a 2 de Julho de 2006 às 00:23
Vivemos numa sociedade em que pelo medo se controla tudo,as pessoas tem medo de tudo não só dos terroristas, dos comunistas,dos mulçumanos,da policia que nos deveria proteger, etc. Medos em que nem sequer temos conhecimento do "agressor", mas em que o medo nos foi "imposto" pelos nossos lideres politicos, os "midia" e outros.Diz-se ao povo: "estámos a proteger-vos" e neste mundo em que corremos não paramos e pensamos por nós.
Quanto as convenções ou outros tratados elavorados pelos politicos deste mundo, estes só são postos em prática quando o mais fraco foi o prevaricador e "compeende-se", mas não se pode ficar indiferente. Vive-se no "Mundo do Medo" e quem tem o poder oprime em vez de zelar pelos direito dos seus e dos outros.As leis são feitas há medida do opressor. Se todos estivessemos interessados na paz não era necessário escrever tratados todos cumpririamos seguindo a nossa consciencia. Quando perder-mos o medo estes criminosos não ficarão inpunes.


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