Domingo, 28 de Maio de 2006

Passeei com o meu neto e fui a Espanha…

Ontem, numa das já de há muito projectadas, e tão longamente esperadas, digressões familiares com o meu neto mais novo, de quase 3 anos!, o senhor Áron Vince, húngaro pela mãe e a quem eu trato por Mr. Pim-Pim, fomos a Espanha meter gasolina. Estávamos perto, em Chaves, apenas a 12 km da fronteira, e fomos lá num pulo com o único propósito de abastecer o velho Skoda! Enchi o depósito metendo 31,2 litros por 35 euros, isto é, mais 6,7 litros do que meteria aqui em Portugal! Hoje, nem de propósito, ouço na TV a comparação de custos entre o mesmo modelo de um Seat, comprado em Espanha e comprado em Portugal e, pasme-se: - se comprado em Espanha, com todas as taxas e impostos incluídos, é mais barato cerca de 7 mil euros!... O preço de um bom carro em segunda mão!

Foi já em período de relativa calma, passada que foi a onda de revolta que senti, que a pergunta surgiu, natural e objectiva: - porquê? Por que razão, suportando, Portugal e a Espanha, os mesmos preços de custo do barril de petróleo, porquê esta enorme discrepância nos preços de venda ao público do crude refinado? Só encontro uma explicação plausível para este estado de coisas, talvez “pseudo-científica” e risível para os economistas encartados, mas que é única que me ocorre para tentar justificar o injustificável: - os custos de produção são muitíssimo mais baixos em Espanha! E assim, uma nova pergunta surge: - como poderão sê-lo num país detentor de um nível de vida muito superior ao nosso e onde o salário mínimo é quase o dobro?


A razão parece ser bem simples também. É que a relação gestão/produtividade anda, desde há muito, completamente desfasada da realidade no nosso país! Aqui se pagam salários principescos e supra-europeus a gestores (mais políticos do que qualificados – veja-se o caso do sr.Gomes na Galp, 15 mil euros mensais, isto a fazer fé nas notícias há tempos veiculadas na comunicação social!) e o nosso pessoal produtivo, porque ignorante, inculto e ingénuo, habilmente conduzido por quem faz da demagogia e da confusão reivindicativa o seu verdadeiro modo de vida, faz greves sem o menor sentido, reivindicando utopias e produzindo cada vez menos e de menor qualidade, obcecado que anda em atingir os patamares salariais europeus e as regalias sociais que lhe prometem mas para os quais ainda não construiu sequer o primeiro degrau da escada que terá de subir! Assim, é claro que a gasolina tem de ser mais cara em Portugal vinte e quatro cêntimos o litro e os carros utilitários, como o Seat, sete mil euros!


O País afunda-se cada vez mais - veja-se o recente comentário crítico do gestor da GE (1) - enquanto os políticos, palavrosos e bem falantes mas totalmente desnorteados e sem qualquer rumo, tentam impor uma autoridade democrática que desconhecem ou já não têm porque se recusam a abdicar dos privilégios que ilegitima e ilegalmente se vem atribuindo como reformas por inteiro ao fim de uma "canseirosa" vida de seis anos de trabalho!...

Parafraseando o tribuno romano: - Até quando "S.Bento" abusarás da nossa paciência?.. 

---//---

 (1) Do PD do IOL: “- O norte-americano Jack Welch, ex-presidente da General Electric e um dos gestores mais admirados do mundo, afirmou hoje que «Portugal é visto no estrangeiro como um país em contínua degradação e declínio ao longo dos últimos anos».

«É humilhante para os portugueses a percepção que do exterior se tem de Portugal como um país em contínua degradação e declínio ao longo dos últimos anos», disse Jack Welch, num encontro promovido pelo Fórum para a Competitividade em Lisboa.

“Welch participou numa mesa redonda destinada à análise e discussão sobre «Os Desafios das Empresas e da Economia Portuguesa no Contexto Competitivo Actual», tendo as conclusões do encontro e as declarações do ex-gestor sido divulgadas por Mira Amaral, em conferência.

“Citado pelo presidente do Fórum, Luís Mira Amaral, o gestor norte-americano acusou as empresas portuguesas de serem «demasiado estáticas» e pouco dadas «à experimentação», mas sublinhou também o papel crucial do Governo «na criação de um ambiente favorável ao empreendedorismo e à competitividade sustentada».

“No diagnóstico que fez do estado da economia portuguesa, Welch destacou a falta de competitividade fiscal e de qualificação dos recursos humanos, defendendo a necessidade «de um Estado mais sóbrio e mais responsável na utilização do dinheiro dos contribuintes», revelou Mira Amaral.””

publicado por Júlio Moreno às 10:02
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