Sexta-feira, 19 de Maio de 2006

Fala-se em época de incêndios…

Fala-se em época de incêndios como se da época de ópera em S.Carlos se tratasse!

Nunca assim tinha visto, ouvido e muito menos imaginado! No ano passado pensei que o facto se deveria a um mero “lapsus linguae”, mas não… era mesmo a sério! O ministro falava de “época de fogos” e declarava solenemente a sua abertura com uma discursata a propósito.

O mote é dado pela comunicação social, fazendo-se porta-voz e eco – tal como anuncia – de um governo que demonstra não só não entender a democracia como nada perceber dela já que tudo confunde a atabalhoa, misturando o direito de opinião e a liberdade de expressão com a impunidade de se dizerem atoardas, de se propalarem boatos, criarem expectativas – umas boas, outras más – mas sempre com a finalidade de falar, falar, falar… sem nada dizer e só para não estar calado pois isso é que lhe parecerá que é o ser-se democrático!

Mas se fosse só falar por falar, ainda estaríamos com sorte! O pior é que não é. Trata-se de um falar vicioso e viciado, que demonstra falta de cultura social, inexactidão de propósitos, ignorância da realidade e uma total demência governativa que exaure as finanças públicas e desestimula a vontade e a competência!

Anunciar uma época de fogos é quase o mesmo que, numa visão surrealista, anunciar a época dos assassinatos, dos roubos ou dos assaltos e violações ao mesmo tempo que a da caça ou a balnear! Perante este quadro de actualidade, o inspirador do “Apocalipse Now” só teria um caminho seguro: apocalipsar-se ou, para simplificar as coisas, eclipsar-se.

Dizem os mestres de marketing que publicitar, ainda que negativamente, qualquer coisa é fazer-lhe ou dar-lhe publicidade; dizem os psicólogos que às mentes psicóticas e facilmente influenciáveis será prudente a ocultação de certos factos susceptíveis de exacerbar a sua imaginação e desencadear sentimentos e paixões que possam, por si sós, provocar acontecimentos imprevistos e altamente perturbadores da segurança e lesivos da paz e tranquilidade sociais: o caso dos pirómanos, por exemplo.

Diz o povo que o segredo é a alma do negócio e que para bom entendedor meia palavra basta…

Em Portugal sempre houve incêndios e fogos nas florestas como sempre houve roubos, agressões e até assassinatos. O que não havia era com esta tamanha e tão assustadora frequência.

As matas eram limpas porque havia gente no Portugal profundo. Gente que lá vivia, podia viver e gostava de lá estar. Hoje essa gente migrou para o litoral, urbanizou-se em busca da terra prometida. As fronteiras escancararam-se a compasso de uma globalização sem norte nem qualquer tipo de outro rumo e o seu controlo passou a ser feito por pessoal assalariado que, por erro, atraso ou vontade do ministro (como ainda hoje ouvi!) se vê desempregado de uma hora para a outra. Os delinquentes, de qualquer credo ou raça, com carta branca, proliferam e gozam do raro privilégio de poderem cursar, sem propinas, as universidades do crime em que se transformaram certos subúrbios, bem ao invés de antanho quando as polícias tinham razão e força e os recolhiam atempadamente e, nalguns casos, antes mesmo de prevaricarem.

Não, este já não é o meu País!
publicado por Júlio Moreno às 01:01
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