Quinta-feira, 30 de Março de 2006

Quando a tecnologia e a economia se sobrepõem à humanidade

Para salvar a economia e preservar a saúde pública encerram-se maternidades! A medida contraria o desejo das populações. É, pois, discricionária e anti-democrática.


 Em termos históricos, ainda não vai há muito tempo que um ultra-ditador e famigerado líder europeu usou análogo argumento para justificar o horroroso holocausto de que foi mentor. Então se tratava de preservar a pureza da raça e de evitar o roubo por parte dos judeus; agora se trata de preservar a economia sob a capa do falso e demagógico argumento da saúde pública. Mas ambos os factos e argumentos nada terão a ver com a questão que, no fundo, se coloca: - a ofensa dos sagrados princípios da liberdade humana e da vontade de, por opção legitimada ao longo de séculos, cada um se poder afirmar nascido quem é e aquém-fronteiras em berço de seus pais.


Com efeito, foi em tempos de magros recursos económicos mas abundantes conceitos humanísticos que as maternidades foram disseminadas pelo país. Hoje, é em escravizante obediência às novíssimas leis da economia e da pretensa preservação da saúde pública que esses critérios e princípios, diria mesmo que esses direitos morais e naturais, são desrespeitados e violentados sem pudor e com tremenda audácia por uma tirania julgada messiânica e a assemelhar-se já, e em muito, à pior ditadura que se possa conceber – aquela que é exercida sob o disfarce de uma falaciosa conduta democrática. Foi assim há 70 anos; parece estar a ser assim hoje! Então dizia-se que em prol da pureza da raça; hoje afirma-se que em abono da saúde pública e sobretudo da economia nacional.


Mas, vamos por partes e analisemos brevemente só dois aspectos que, em nosso entender, justificarão a revolta que sentimos:


- Será que a economia nacional surge beneficiada quando a maioria dos gestores públicos, isto é, os senhores a quem compete zelar por ela no desenvolvimento dos respectivos misteres, entendem como necessária a aquisição e manutenção de viaturas de altíssima cilindrada, luxo e último modelo, conduzidas por motoristas cuja produção real se resume à espera e a auto atribuição de chorudas e ilegítimas pensões de reforma após uma larga fruição de imorais vencimentos?


- Será que a saúde pública – no caso em apreço, das mães e dos nascituros, quando em eminência de parto – surge beneficiada quando tiverem de percorrer dezenas, quando não centenas, de quilómetros a bordo de ambulâncias que o que terão de melhor serão as sereias e a abnegada disponibilidade de quem nelas serve?


Comparando as situações, as de há 70 anos e as que hoje, sorrateiramente, se vêm amiudadas vezes repetindo, bem poderemos reconhecer alguns pontos de estreita semelhança: - ambas provêm de líderes dominados pela teatral e demagógica ânsia do poder e apoiados por elites clubistas que, neles e no seu desvario, vêm uma maneira de terem uma próspera e muito proveitosa passagem pela vida. O interesse das pessoas, que o mesmo é dizer do povo, é-lhes secundário.

publicado por Júlio Moreno às 11:29
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