Sexta-feira, 3 de Março de 2006

O paradoxo dos dias que vivemos

Falar-se em progresso e em civilização nos dias que correm parece-me erro crasso e um total desvirtuamento da realidade de facto. Todas as realidades do quotidiano o vão, pouco a pouco, demonstrando; senão vejamos:


- Um grupo de jovens agride, com requintes de barbárie, um desgraçado cuja culpa seria, provavelmente, a de ter ousado vir ao mundo em que vegetava e logo a lei toda se atrapalha e se perde em deambulações teóricas, filosóficas e retóricas para decidir o que fazer agora. Com efeito todos estamos perplexos e doridos, mas só doridos já que a dor essa só a sente quem sofrer o que aquele desgraçado sofreu.


- Que fazer, como remediar?


- A solução é simples. Simples só que lenta e controversa, como tudo o parece ser nesta democracia que cada qual interpreta a seu jeito e paladar. A solução é a de educar o povo e não a de distribuir canudos a torto e a direito em cursos e cursinhos com que muitos doutores de hoje se vão pavoneando embora não sabendo a tabuada ou quem escreveu os Lusíadas.


- Não se fechem escolas; abram-se escolas. Não se santifique a economia; domine-se e humanize-se a economia. Restaurem-se os princípios e puna-se com severidade e oportunidade quem, em consciência, prevaricar visando a ostentação, a publicidade e o lucro fácil. Puna-se com mão pesada e célere quem deseduca a cada dia que passa com o triste exemplo das suas vidas tornadas públicas por uma informação incoerente e desvairada. Puna-se o ministro, o deputado, o jornalista, o sábio e o inculto que, com demagogia barata ou cara, domina a arte da troca das palavras e do seu sentido para mentir ao povo e para se proteger a si e aos seus amigos. Instale-se uma democracia clara, directa e transparente mas que o seja de facto e se não fique só pela intenção de o ser. Como prudentemente se faz nas barragens quando cheias, obriguem-se igualmente os bancos, verdadeiras albufeiras de dinheiro, a abrir regularmente as suas comportas não só para alívio da pressão como também para permitir o benefício das culturas a jusante. Não se teime em querer crescer para o infinito quando tudo neste mundo é finito e transitório. Transforme-se o produto bruto em produto inteligente. Acautele-se esta desenfreada ânsia de progresso tecnológico que, contrariamente ao que muitos pensam, encerra em si mesmo a contradição das contradições já que desproporcionalmente beneficia a minoria que o atinge e condena ao desemprego e à penúria os que não podem ou não o conseguem alcançar.


- Sem falsos saudosismos ou utópicas pretensões, recuemos um pouco ao tempo em que podíamos desfrutar da visão magnífica de um lindo campo de papoilas e, por simples comparação dos factos, concluamos do preço que estamos a pagar pelo progresso em que julgamos estar vivendo!
publicado por Júlio Moreno às 14:13
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