Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2006
GNR: um dos militares atingidos tem bala alojada na coluna
Dizem-me que sou saudosista e, por intencional extrapolação de alguns, que serei até reaccionário. Se quiserem e disso fizerem muita questão (os que pretensamente assim me agridem) sê-lo-ei, uma e outra coisa!
Desde menino que fui ensinado e pensar e a ser livre. Tradição familiar, que sempre o foi. Paguei já por isso, e repetidamente, tanto na antiga como nesta nova Era. Continuo a pagá-lo ao ler notícias como esta!
Enverguei um uniforme e creio que o soube dignificar, como o atestam algumas palavras de elogio que me foram dirigidas, dentre várias, as do saudoso Marechal António de Spínola, com quem tive a honra de servir e de privar de perto.
Como agente da autoridade, na GNR, tive de enfrentar algumas situações delicadas. De risco mesmo. Tais situações sempre existiram e sempre existirão. Só que nesses tempos, que recordo, sem as amplas liberdades que tão proclamadas são, havia trabalho, emprego e a segurança dos cidadãos existia. Isto era um facto. A lei era obedecida e a autoridade respeitada. Do Minho ao Algarve o país tinha fronteiras e não era qualquer facínora internacional que aqui entrava facilmente para roubar e matar com quase garantida impunidade e os nacionais, que sempre os houve, sabiam que a Autoridade era lesta e a Justiça tinha a mão pesada pelo que a pouco se atreviam. Cometeram-se excessos, e agora? Já não se cometem?
A publicidade fazia-se à farinha Amparo e à pasta dos dentes, ao detergente da louça e ao sabonete de maior suavidade e de mais fino aroma. Hoje a publicidade faz-se aos assaltos, aos assassinatos, às violações e aos atentados.
Assim como houve um Nero, um Napoleão, um Cromwell, um Hitler e um Stalin, entre muitos, hoje existe um Sadam, um Fidel e um Bush, para apenas referir alguns. Nas meias águas, ou nas meias tintas, não sendo nem carne nem peixe, ficarão muitos
a maior parte!
Pousámos na lua mas vivemos nela. Cultivamos a utopia como religião da liberdade. Choramos os mortos quando morrem e não choramos os vivos que morrerão em breve. A par dos santos, hoje veneramos a economia e a ela vamos sacrificando a nossa existência. À sua sombra proliferam injustiças e criam-se situações da mais flagrante violação de todos e quaisquer princípios de equidade social e moral. A competitividade passou a ser a lei a que devemos todos obediência. A irracionalidade impera. A ciência avança, ciclópica, e tudo ameaça converter e subverter em prol do que afirma serem os novos valores. A tecnologia avança e rouba postos de trabalho. O pai ignora o filho e o filho despreza o pai.
Que bom viver em liberdade!... Recordo, talvez a propósito, aquela pergunta tão pura, tão ingénua e sã que alguém, cansado de sofrer, terá formulado um dia, algures na antiga África portuguesa: - "Patrãozinho
quando é que acaba a independência?"