Sexta-feira, 19 de Agosto de 2005

Ao "comentário simples" de Coelho (no PD)

Concordo com quanto afirma no seu oportuno e muito bem estruturado comentário onde analisa, com grande clarividência, o mau trabalho dos sucessivos governos post 25 de Abril e aponta, com acutilante e destemida certeza, a sua causa. Com efeito, a democracia não a vivemos ainda. E não a vivemos porque ela não se estabelece por decreto nem se apreende pela frequência, mais ou menos sonante, de qualquer mestrado em ciência política. A democracia é de geração espontânea e em tudo gratuita sendo só necessário que, realmente, corra nas nossas veias e seja sentida nos nossos corações.(Propositadamente evito as reticências pois o PD, por artes mágicas, costuma substitui-las por pontos de interrogação! Adiante, porém.)


Todavia, e porque não haverá bela sem senão, um ligeiríssimo aparte pelo que se refere à Suécia, país exemplar, sem dúvida, mas que, e quanto a mim, terá atingido o paradoxo da civilização. E digo isso porque, das vezes que lá estive, nunca vi as pessoas a rir (nem a chorar, é verdade!), mas os risos (poucos) a que tive a oportunidade de assistir, foram risos artificiais e resultantes, muitas vezes, de alguns copitos de "snaps" a mais.


O povo sueco, exactamente porque terá atingido um elevadíssimo nível de vida em termos de média europeia, e um muito elevado grau de estabilidade económica e social, terá deixado de sentir a necessidade que nós, latinos, sentimos de lutar por aquilo que visionámos e nos seja caro. Um dia, com grande surpresa minha, recebi o pedido de um técnico de elevado gabarito para vir trabalhar em Portugal, desmotivado que estava com o seu trabalho e a rotina da sua vida em Estocolmo. Recordo que, por volta dos anos 70 ou 80, numa das minhas deslocações àquele país, me contava ele que o Estado tudo garantia, inclusive o direito de não trabalhar como mera opção de vida. E o cidadão que assim tivesse optado apenas teria um trabalho em cada mês: - o de postar-se em frente de um "guichet" esperando a sua vez para que lhe pagassem o subsídio a que tinha direito e para o qual, os trabalhadores, como esse meu amigo engenheiro, haviam contribuído com 55 a 60% do seu salário! Me perguntava ele como era em Portugal e eu lhe respondi textualmente, traduzindo logo depois o portuguesíssimo idiomatismo de tal frase: - meu caro, em Portugal, quem não trabuca não manduca... O que então era verdade!


Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Nem o proteccionismo sueco nem o abandono português. Talvez tenhamos de procurar o meio termo porque aí sim, aí estará a virtude. Mas... e há sempre um mas nas nossas vidas! Já Caius Julius Caesar dizia, em 100-44 AC, há mais de 2.000 anos: - "Há, nos confins da Ibéria, um povo que nem se governa nem se deixa governar!" (diz-me uma amiga, que há bem pouco tempo me recordou a frase, que esta verdade histórica não estará confirmada mas, a avaliar pelo que sei de nós e pelo que ?ouvi? de César, acredito bem que a tenha proferido).
publicado por Júlio Moreno às 23:54
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