Segunda-feira, 4 de Julho de 2005

A fria análise dos factos... (1ª parte)

A fria análise dos factos que o presente artigo me suscita é a de que, nas actuais circunstâncias, já quase nada haverá a fazer que possa levar o país ao rumo que se deseja! E como a afirmação, por ousada, poderá suscitar alguma ambiguidade, passo a explicá-la:
- Na verdade, repetir um discurso (Marques Mendes) ou comemorar os cem dias (José Sócrates), ser-se entrevistado pela Tv uma, duas ou mil vezes, nada disso interessa ao país e, ao que parece, serão apenas frases ditas para encher o espaço, cada vez mais vazio, da acção política ou então só para não se estar calado!
Os factos, esses sim, falarão por si e repercutirão no corpo social e doente do país, agravando-lhe os males de que padece e tornando cada dia mais longínqua a almejada esperança de cura.
Já todos sabemos que o primeiro-ministro não pode vir alegar desconhecimento do deficit pois se candidatou ao lugar e, ao fazê-lo, ou tinha pleno conhecimento dos assuntos pelos quais se iria responsabilizar ou, se o não tinha, revelou à partida uma imaturidade pessoal e política e uma tão desmedida ânsia de poder que, desde logo, o deveriam ter tornado inelegível para o cargo! Mas foi eleito primeiro-ministro.
Como consequência deste facto, surge nas Finanças um competente “técnico” - isto no dizer de outro “técnico” que, em tempos idos, nos brindou com um interessante tabu; mas este técnico novo, que agora surge e que já ocupara cargos elevados no aparelho público do Estado, mercê dos elementos de que então disporia, não devia ignorar, por certo, que o país vinha resvalando para o atoleiro em que hoje se encontra. E, não o ignorando, que fez então o técnico? Juntamente com outros, atribuiu-se a si próprio um vencimento legal mas imoral e usou das suas competências legais para criar a imoralidade das imoralidades: - a atribuição a si mesmo, vitaliciamente, de uma reforma por inteiro ao cabo de seis anos – pasme-se: seis anos! – de canseirosos trabalhos! E é esse mesmo técnico, hoje ao serviço das Finanças públicas, quem vem pedir ao povo que mais se sacrifique ao mesmo tempo que defende, até ao limite das suas forças, a manutenção dos privilégios a que se julgava com direito e que, de facto e de jure teria mas que a mais elementar legitimidade lhe negava! Mas foi nomeado ministro.
Nesta problemática de equívocos sucessivos se inserem, pois, as medidas de austeridade que, qual trovoada de verão, colheram de surpresa todos os portugueses e a revoada de intenções com que o novo discurso político nos brinda diariamente. Resultados? Descrentes, esperaremos para ver. Mas o aumento do IVA aí está.
Entretanto, a insegurança surge como facto incontroverso (incontornável – é assim que se diz, não é?) dos nossos dias (assassinatos de polícias, assaltos a banhistas por hordas de vândalos violentos e completamente desintegrados numa sociedade que recusa o racismo mas que o pratica, - não por ir à horta mas por ficar à porta -, crimes antes ignorados neste país dito de brandos costumes) tudo isto factos que se inserirão numa vasta e actualíssima problemática sócio-política que, até ao momento, não vi ser abordada, nem sequer aflorada, como seria mister que de há muito o tivesse sido e por verdadeiros técnicos que não por políticos e inerência de funções. Televisões e jornais falam, comentam e enchem-se de disparates, de inoportunidades, de conclusões e deduções sherlokomianas e palisseanas que fazem notícia e enchem de conhecimento a gula desmesurada da enorme massa de espectadores, ouvintes e leitores ignorantes! Como exemplo típico: - comenta-se que determinado assalto numa rodovia poderia ter sido detectado pois as barragens da via quando por motivo de obras verdadeiras são sempre precedidas de indicação sinalética… Muito obrigado, dirão os delinquentes interessados, aprendemos a lição e para a próxima já não nos esqueceremos.
...
publicado por Júlio Moreno às 10:44
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