Domingo, 26 de Junho de 2005

O hoje…

Nunca, em toda a sua história civilizacional, o homem foi mais indigno e miserável do que hoje! Mente-se descaradamente e sem o menor rebuço. Cometem-se os mais hediondos e tenebrosos crimes em nome do bem colectivo. Proliferam os vexames do homem pelo homem, o seu roubo, a sua escravidão, a sua suprema humilhação…

Por outro lado, nunca o servilismo e a mediocridade desceram tão baixo e foram tão evidentes. Nunca tantos sorriram e louvaram tão poucos outros que em si limparam as botas conspurcadas e infectadas pelos ínvios percursos que fizeram, fazem e continuarão fazendo. Nunca o cheiro social foi tão pestilento e nauseabundo. Nunca se morreu e se deixou morrer tão lentamente…

Nunca o paradoxo em que vivemos foi tão evidente e transparente como hoje: - a sociedade está podre, o mundo está podre, a civilização faliu e não haverá orçamentos rectificativos que lhe valham tal a sua degradação e o estado actual de decomposição psico-somática em que, sem retorno, já entrou!

A acompanhar este caos social, a natureza também manifesta desordem. Ou não chove ou do céu caiem dilúvios que matam, destroem e tudo arrasam. Ou os termómetros atingem mínimos a que não estávamos habituados ou o sol dardeja calcinando a terra e tornando-a desoladoramente propícia à terrível praga dos fogos estivais. Os terramotos, que sempre houve, os maremotos, que sempre houve, vão somando vítimas em número cada vez maior e talvez apenas porque o homem, já não cabendo em si mesmo, resolveu sair de si e abandonar a sua condição de ser fraco e transitório para se crer perene, sábio e infalível, capaz, mesmo, de alterar as leis supremas do equilíbrio universal…

Do meu canto, de olhos esbugalhados e tremendo… assisto, apavorado e impotente, ao que se passa à minha volta e, porque estou só, democraticamente, vou votando a horas certas e dando, assim e como que em legítima defesa, a minha confiança àqueles que não conheço, que não sei de onde vieram e que nem mesmo terei a certeza de que sejam homens.

Acho que também eu me estarei a converter em cidadão de hoje!
publicado por Júlio Moreno às 10:51
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