Sábado, 18 de Junho de 2005

Europa unida! Que Europa?...

Quem acreditar que, de uma cimeira europeia nascerá uma Europa unida, fraterna e, em uníssono, a cantar o hino europeu, está, a meu ver, redondamente enganado!

A Europa nunca foi unida. Qual a razão ou razões por que o viria a ser agora? Não é velho aquele adágio que prognostica que a história sempre se repete? Pois então! A repetição aí está!

A diferença, talvez!, é que dantes, ainda há pouco, havia guerras, marchas, tiros e rufar de tambores. Havia, entre centenas de outros, Napoleões, Hitlers, Mussolinis, Nelsons e Wellingtons… Hoje, como tudo isso terá passado à tal história que se pretenderá alterar contra natura, passou a haver discussões inconclusivas, cimeiras sem acordos e tratados recusados ou atraiçoados ( como Chamberlain já fazia no seu tempo!). Mas a desigualdade rácica, de opinião, de quereres e de vontades, essa, por ser atávica, manter-se-á na sua ancestralidade poeirenta de séculos! O homem será, mesmo que o não queira, cada vez mais igual a si mesmo!

(Aqui um brevíssimo parêntesis para dizer que começarei talvez a entender o “heavy metal”, o “dar de frosques” e o “buena fixe” e a compreender um pouco o fenómeno da droga e dos drogados, cansados de uma luta que sentem, que não vêm nem definem mas que sabem não ser sua e que não saberão enfrentar porque desaprenderam como expressar-se!):

Mudar isto, não sendo impossível, será tão difícil e improvável como remover os Pirinéus, transformar a península na jangada de pedra do nobel Saramago ou fazer entender aos grevistas o quão utópica e auto-contraditória é a greve, qualquer greve, mera e passageira ilusão de força que sempre tornou e tornará mais fracos os que já o eram! De facto, pretender que, apenas porque uns senhores, de fino trato e de esclarecidas inteligências (mas cujos azimutes de intenção estarão longe de ser conhecidos!) se decidiram alugar uma casinha em Bruxelas e aí se banquetearem diariamente entre discursos e reuniões falaciosas onde a linguagem muda de sentido e o sim quererá dizer não e o talvez uma subtil, mas não menos incisiva, recusa ou negativa, pretender isso e ansiosamente esperar por isso, parece-nos concertada manobra de diversão política quando não síndrome de pavor, de um pavor que se terá instalado na Europa e, talvez, no próprio mundo consciente, talvez, do caminho que leva e do abismo que dele se aproxima.

E nós, portugueses, que fizemos e temos feito? - Recusámos uma federação de estados ultramarinos, em que Portugal seria, de facto e de direito, o “cabeça de série”, e aceitámos, por via de uma modernidade saloia e desprovida de sentir, a subalternidade, quase vexatória, de servirmos uma Europa tirana e desunida, eivada de vícios e de mazelas e que, a troco de alguns euros, porque sempre foi mais rica, nos vem impondo restrições de toda a espécie, nas pescas, na agricultura, nos orçamentos e no nosso próprio estado, pretendendo subalternizar à sua a nossa própria lei fundamental! Tenhamos vergonha do presente e, na redenção do passado, o orgulho, que quase perdemos, de sermos portugueses.

Não serão espartilhos de Bruxelas ou fatos à medida de Washington ou Moscovo que nos ataviarão para o futuro. Nós, portugueses, sempre fomos diferentes. Curiosos, timoratos, atrevidos e… nem sempre verdadeiros, mas diferentes! Saibamos só continuar a sê-lo e reconstruamos as velhas naus com que do Restelo partimos à descoberta de um mundo que ainda hoje está por desvendar…
publicado por Júlio Moreno às 13:06
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