Segunda-feira, 6 de Junho de 2005

Talvez o processo não deva parar...

Talvez o processo não deva parar, agora que o mal ou o bem estão feitos!

Mal comparado, da nova Europa resultará uma cor diferente e desconhecida, amálgama idêntica à que resultaria se, numa palete de pintor, juntássemos o preto, o branco, o vermelho, o azul, o amarelo… e por aí fora, num total de 25 cores diferentes, cada uma representando o seu país na proporção do peso demográfico ou económico de cada um. Essa amálgama resultante traduzir-se-ia numa nova cor, até hoje ignorada, nunca vista e nunca experimentada nas telas de qualquer pintor, pelo que ninguém saberia dizer se seria feia se bonita ou se utilizável ou mesmo para desprezar e deitar fora Na nova Europa passar-se-á algo de muito semelhante sendo, todavia, de temer que algum membro tente juntar ao “pastel” um pouco mais do ocre do seu clube sem que o parceiro do lado se dê conta disso. Creio que até aqui ninguém terá dúvidas.

As dúvidas só surgirão quando, posta a questão do referendo, nos indagarmos sobre como afinal, perante tantas dúvidas, perplexidade, surpresa e ignorância, chegámos até aqui! Como chegámos até aqui se, para os passos já dados – mudanças de moeda, com o incontrolado aumento de vida que daí resultou, restrições na produção agro-pecuária, restrições nas pescas e abates na frota pesqueira, camufladas hipotecas a rios de dinheiro já recebidos (e totalmente gastos sem outro efeito visível que não sejam, talvez, as auto estradas, os cursos superiores que surgiram como cogumelos em tempo favoravelmente húmido e os sinais exteriores de riqueza que entretanto foram surgindo um pouco por todos os quadrantes e talvez nos cogumelos mais venenosos!) – se para os passos já dados até hoje, dizia, ninguém nos perguntou nada e tudo correu a contento de uns quantos senhores que correram para Bruxelas onde se mantiveram a cozinhar… cozinhar em fogo brando aquilo que só eles sabiam… e a comer… a comer as iguarias que iam produzindo!

Ora, se até hoje ninguém nos perguntou nada, se o povo – quem mais ordena! – nunca foi consultado, porque raio é que surge agora a necessidade de consulta – por parte de quem mais ordenha o povo! – sobre se devemos ou não continuar? Será para sentirem as costas quentes...

Feliz ou infelizmente, no estado actual das coisas, franceses e holandeses travaram um pouco o processo; o Reino Unido interroga-se sobre se deverá ou não fazer o referendo, assim como, estamos em crer e aqui para nós, que a própria Espanha se interrogará secretamente sobre se terá assumido a melhor posição… Que fazer, então?

Eu, por mim, acho que é tempo de acordar, de voltarmos um pouco atrás e de nos interrogarmos seriamente sobre quem terá criado esta classe política que temos e que eu suspeito mesmo ser de geração espontânea e, quem sabe, vir mesmo do Big Bang já que o próprio Aristóteles dela falava só que, coitado, pobre de espírito e limitado de visão, misturando homens com animais sem cuidar de garantir primeiro a racionalidade daqueles! Coisas da antiguidade!... Mas resumindo: - para onde vão, ou querem ir, estamos nós a ver. E… de onde vieram? Esta a questão que, em sendo respondida, talvez forneça a chave para a chave de muitos mistérios e a solução para o incerto futuro que hoje temos pela frente.


Nota - a propósito do "não" francês e holandês ao referendo sobre o tratado da Constituição Europeia.
publicado por Júlio Moreno às 09:48
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1 comentário:
De Paulo a 6 de Junho de 2005 às 10:12
Li todo o seu blog. Voçê é recém chegado de que planeta? Benvindo a bordo!


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