Sábado, 4 de Junho de 2005

A Europa e a Constituição Europeia.

"Na natureza nada se perde nem nada se cria…". A frase e, sobretudo, o conceito, surgem-me como plenos de aplicabilidade ao que agora se discute: - a Europa e a sua Constituição.
Explico: - tenho razões para ser partidário do SIM, como muitos dos meus outros neurónios activos (talvez os da minha esquerda residual) parecem querer aproximar-se do NÃO. Mas, como. no meio deste conflito de interesses, fico eu, corpo inteiro de pessoa física, moral, espiritual e intelectual, não terei outra opção senão votar no NIM.
Explico: - com o NÃO tudo ficará como dantes. As velhinhas e ancestrais Nações europeias, ancoradas nas suas tradições seculares, continuarão a ser iguais a si mesmas. Usar-se-ão socas na Holanda e chapéus de coco na Grã-Bretanha. Recordar-se-ão o Bismark e o III Reich na Alemanha e torrentes de turistas continuarão a subir à torre Eifel em França. Por Espanha prosseguirão as touradas e o vinho do Porto continuará (até ver!) a provir das ingremes e soalheiras encostas durienses. A ópera continuará apanágio de "la dolce" Itália e as neves, o frio e o gelo permanecerão nos alpes suiços, no Tirol austríaco, e nas gélidas Noruega, Suécia e Finlândia assim como a chuva continuará a cair na Dinamarca. A Europa unida permanecerá retalhada e os conflitos serão resolvidos por tribunais de opinião política sem qualquer carácter prático ou decisório continuando os euro deputados de Estrasburgo a receber as suas ajudas de custo quando, como os operários da construção civil deslocados, forem às suas casas aos fins de semana. Os mídia continuarão a pontificar e a dado momento haverá duas fontes noticiosas por cada cidadão eleitor. Assim, e muito por alto, visiono a Europa do NÃO. Sem progresso. Estagnada.
Por outro lado, a Europa do SIM, muito em breve dará lugar aos Estados Unidos da Europa. A estes seguir-se-ão os Estados Unidos da América do Sul. Seguir-se-ão, talvez, os Estados Unidos da África do Norte e, pouco depois, os Estados Unidos da África do Sul. O mesmo se deverá passar no continente asiático de onde emergirão os Estados Unidos da Ásia do Norte, os da Ásia Central e os da Ásia do Sul. O grupo de Estados que mais tardiamente se formará será o dos Estados Unidos da Oceânia que será tentado a agrupar, invocando razões onomásticas, além da Austrália e da Nova Zelândia, os estados insulares existentes no Pacífico. Então, uma vez agrupadas as etnias em nações, estas em estados soberanos e estes passando a ser individualmente unidos, surgirá uma nova questão: - porque não os Estados Unidos Globais do Planeta Terra? E, um dia, estes serão mesmo a nova realidade.
Mas, tempos depois, após várias vicissitudes, dúvidas, encontros e desencontros de opinião entre os deputados dos Estados Unidos Globais do Planeta Terra, cuja capital, como paradigma de uma neutralidade inquestionável será algures na desconfortável e incorruptível Antártida, e que, por isso mesmo, estarão cheios de frio e ansiosos pelo regresso aos pequenos e confortáveis parlamentos que seus avós dantes ocupavam, será votado o REG (regresso), pois, para que a nova realidade política, social e económica seja viável (a despeito dos tremendos progressos que se prevêem no campo da informática), seja viável e se torne governável, terá de basear-se toda a sua estrutura de governo numa eficiente e radical descentralização administrativa. O REG (regresso) conduzirá, assim, à formação de uma espécie de províncias que mais não serão do que os antigos estados e países (aqueles em que hoje vivemos) tal como estavam antes de toda e qualquer fusão!... Voltarão assim as nacionalidades, os idiomas e os países...
De facto, tal como Lavoisier já afirmara, e porque na natureza, nada se perde nem nada se cria, tudo se transforma, por isso e por tudo o mais que antevejo que o melhor seja esperar para ver e, neste caso, votar nem no NÃO nem no SIM mas no NIM…
publicado por Júlio Moreno às 12:42
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