Domingo, 5 de Julho de 2009

A maioria absoluta

Acabámos de viver 4 anos de uma maioria absoluta do PS na Assembleia da República. E que vimos nós? Que tivemos nós?

Respondo:
- a omnisciência de um iluminado, de um predestinado que, pouco a pouco, primeiro timoratamente, baseando-se, talvez na sua inexperiência e na férrea vontade de se manter no poder, de ser, a qualquer preço, o maior neste País, mas, pouco a pouco, ganhando mais coragem, perdendo a vergonha e fazendo-se impor como um verdadeiro “ditador” que habilmente foi sabendo dissimular na sua recente carreira política.

Verdadeiramente o que tivemos nestes últimos 4 anos de legislatura mais não foi do que um “Estado Novíssimo”, porque pela primeira vez vivido enquanto que o Novo já lá vai, liderado por um homem que, cada vez que afirmava humildemente as suas dúvidas não conseguia disfarçar a sua vontade e o seu querer ditatorial, no que era docilmente obedecido por um vasto e, diria mesmo que desinteressado, grupo de deputados, liderado por um senhor sempre com a barba por fazer – tantos quantos lhe valiam a sua maioria mas que mais não faziam do que congratularem-se com as ideias do “chefe” a quem rendiam as mais rasgadas homenagens e teciam sempre os maiores encómios, não se poupando em elogios, alguns dos quais tão ocamente falsos que chegavam mesmo a tresandar a isso mesmo, excepção feita para uma escassíssima e honradíssima meia dúzia deles (Manuel Alegre, António José Seguro, entre outros) nos passos que se dizem ser perdidos mas que, para nosso bem ou nosso mal, não o são nem nunca o serão.

Não se deu conta o Povo de que o que vivemos mais não foi do que uma “democrática” ditadura na qual prevaleceu a vontade soberana de um só homem que tivemos a tristíssima sorte de não se ter limitado a ser apenas um ditador mas que foi igualmente um homem sem palavra, um embusteiro social, verdadeiro enganador do Povo a quem deu o que não tinha e prometeu dar o que sabia não poder, e um péssimo exemplo do que é ser-se político, cultivando habilmente a arte ou a ciência de enganar o Povo (a definição é minha e muitas vezes citada neste pobre blog) e onde as contradições foram mais do que muitas e tantas que, se fora ele apenas o ministro que não o primeiro, de há muito que teria recebido o célebre cartãozinho protocolar agradecendo-lhe o trabalho (mal) feito mas prescindindo daí por diante dos seus serviços.

Portugal nada ganhou com o pseudo-engenheiro José Sócrates da Silva Pinto, nado em Alijo e criado em Castelo Branco, ao que se julga saber, e que, antes de ser engenheiro e apenas como agente técnico de engenharia (tal como se concluía da nota dimanada da Ordem dos Engenheiros), já projectava partes de casas para habitação sobre cortes de gado e outras obras de quejanda valia “ambiental” e que teve o enorme mérito de se diplomar a um domingo e de fazer por fax o seu exame de inglês, língua de que já se serviu em público, (como do espanholês) para gáudio de alguns deputados e políticos europeus que não esconderam, frente às câmaras, os risos que o facto lhes terá suscitado!

Fantástica para não dizer incrível a sua cada vez mais omnipotente, troante e teatral presença no parlamento onde quinzenalmente fazia questão de se apresentar, vestido pelo último figurino, para satisfação do seu ego pessoal já que o país saía daquelas longas horas de debate absolutamente vazio, tal como tinha entrado sem nenhuma valia ou acrescento de conhecimento que não fosse alguma revolta contra certas cenas que perpassavam pelo hemiciclo.

E tudo isto porque a maioria democrática de um só partido mais não é do que a ditadura desse mesmo partido.

A maioria democrática de uma coligação partidária, essa sim, essa corresponderá muito provavelmente a uma real e verdadeira maioria que representará democráticamente o País já que os deputados terão sempre, mesmo que à última hora, o poder de se desvincularem de eventuais acordos previamente feitos sobre questões fundamentais para o bem-estar das populações, o bom funcionamento do País e para a credibilidade das suas Instituições.

Aproximam-se as eleições legislativas. Quem vos escreve estas linhas desde sempre que foi um democrata. Por isso a sua opinião e conselho é isento, sincero e simples:

- Que nóa, portugueses, tenhamos aprendido a lição e saibamos que a maioria absoluta nunca se deverá dar a qualquer partido por muito democrático e transparente que este se nos apresente ou afigure.

É que, se assim for, cedo aparecerá o homem que, como agora aconteceu e ao exemplo de tantos outros que a história nos aponta, tendem a converter-se, em curtíssimo prazo, em ditadores os últimos dos quais estão hoje bem presentes no nosso conhecimento e dos quais o expoente maior neste nosso mundo ocidental será um tal Hugo Chavez, vindo não se sabe de onde mas que, tal como Hitler nos anos 30/40, não se coíbe já de todos ameaçar com os mais vis propósitos de agressão armada que só aparentemente irão engrandecer a Venezuela, até aqui um pequeno mas ordeiro país, símbolo de bem-estar, de uma tranquilidade e de uma confiança no porvir que atraía emigrantes de todo o mundo, coisa que hoje já não acontece mais.

Não é necessário ser-se Professor Catedrático para se dirigir um País – e, curiosamente, escassos foram os que já o fizeram– mas, no mínimo, é necessário ser-se suficientemente culto e políticamente evoluído para, se for necessário e por uma nobre causa, de armas na mão, como o fez Fidel Castro, libertar o seu Povo da escravidão a que estava sendo submetido pelos barões estadunienses do dinheiro que usavam Havana como sua área de prazer e de deboche.
publicado por Júlio Moreno às 21:56
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