Domingo, 13 de Junho de 2010

Congratulo-me com o que ouvi hoje

De facto, tenho boas razões para me congratular com as sempre sábias palavras dos homens lúcidos, sérios e profundamente conhecedores das matérias que abordam e que não se confinam só às respectivas profissões como também sabem ser profundos em quanto à generalidade do social e cultural da Nação e, muito principalmente, pela forma simples, directa e eficiente – o que a muito poucos é acessível – com que explicam as suas razões às mais díspares audiências televisivas que seguem, em minoria, os programas em que intervêm e aos quais se sobrepõem, como é sabido, quaisquer Rocks in Rio ou banhadas em piscinas de estúdio.

Refiro-me ao programa “Plano Inclinado”, de Mário Crespo, quase sempre anfitrião de ilustríssimos mestres em política económica como o é, sem dúvida alguma, o insigne Mestre Prof. Medina Carreira, um dos mais brilhantes e “destemidos” cérebros da actualidade portuguesa, ex-ministro das Finanças e também fiscalista e advogado, que nunca hesita em atacar, chamando as “coisas” que vão mal pelos devidos nomes – quase tudo, infelizmente! – e apontando, directamente e com a maior clareza, os respectivos responsáveis neste governo que nos “desgoverna” há cerca de uma década.

Neste último programa interveio também o ilustre economista Prof. Hernâni Lopes que, falando claro e sem tibiezas frente às câmaras, em comentários acertadíssimos sobre a conjuntura económica e moral do país, não se coibiu de anotar a falta que hoje sentimos do extinto “serviço militar obrigatório”, tema que, por um certo saudosismo militar que não escondo, diversas vezes, pensei em vir abordar aqui.

Com efeito e de um dia para o outro, extinguiu-se o serviço militar obrigatório ao abrigo de uma política de cego seguidismo das pseudo-avançadas políticas europeias e talvez também, como hoje se pretende fazer crer, por razões economicistas nunca “de facto” explicadas.

Na verdade, quem tem medo do serviço militar obrigatório? Talvez aqueles mesmos que lhe deveriam agradecer o facto de ocuparem hoje – post a totalmente adulterada e fracassada revolução dos cravos – os lugares que nunca teriam tido sem essa plêiade de soldados generosos e sem posto que, em cima dos carros de combate, obedecendo apenas aos seus chefes, ousaram desafiar o “monstro” do poder instituído e que, reconheço-o, tal como Spínola o reconheceu também, asfixiava há anos o Povo português.

O soldado do meu tempo era, talvez, o traficante e drogado de hoje ou o incipiente aprendiz de assaltante para quem já não há pais ou avós a respeitar e que, entrada a porta de armas do quartel ficava aí despido de toda e qualquer tentativa de oca arrogância sendo obrigado a subir, no interior do quartel e da organização militar, à custa de uma vontade e disciplina que lhe era imposta e à qual, com vontade ou sem ela, tinha sempre de submeter-se. Com isto não quero dizer que não houvesse cabos a merecer ser generais e generais que talvez nem cabos merecessem ser. Mas isso é outro assunto que ficará para outra ocasião.

Regressando ao tema: -na velha tropa se formaram homens na verdadeira acepção da palavra. Homens esses que, depois, geravam homens, desta forma fazendo crescer uma sociedade mais equilibrada e, sobretudo, muito mais honesta.

E agora? Agora vemos políticos que mercê de uma ascensão meteórica e as mais das vezes bem pouco clara, por inerência dos cargos a que se alcandoraram, se arvoraram em chefes dos militares – até comandantes supremos das forças armadas! – sem nunca terem sabido sequer o que era uma farda, uma espingarda ou sequer terem ouvido o toque duma alvorada!

E são esses os exemplos da democracia que nos deram e conduziram o País à beira do abismo onde nos encontramos e aos quais nos vemos hoje obrigados a obedecer qual recrutas recém incorporados!...  Oxalá não surja algum que, querendo fruir plenamente das funções que julga ter e, fazendo o que não sabe, dê como comando a voz de “um passo em frente, marche!...”

Voltarei ao assunto mais tarde, isto “se a tanto me ajudar o engenho e a arte”…

publicado por Júlio Moreno às 16:23
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