Domingo, 5 de Julho de 2009

Estranho sonho…

Imagine-se que, sendo eu um verdadeiro leigo na matéria em causa – economia – estava dando uma lição a dois verdadeiros economistas profissionais e meus amigos. Um, que era uma, porque de tal actividade faz profissão e outro porque não a exercendo, dela tem fortes alicerces inseridos na sua ocupação actual de engenheiro.

Falávamos de “investimentos”, desde o seu contexto talvez etimológico, ao seu sentido corrente e por que actualmente a palavra é empregue.

Não me recordo bem das circunstâncias – é o grande mal dos sonhos!, para os quais terá de ser inventada uma máquina que os grave e no-los faça recordar depois, com pormenor, aqueles que nos interessarem e “desgravar” aqueles que não nos interessem ou porque completamente desconexos, sinónimos de uma mente preocupada e, logo, doentiamente adormecida e a que chamaria “Dalianos” por semelhança com Salvador Dali, ou porque de tal forma mórbidos, tristes e acabrunhantes que mais valera nunca terem sido sonhados senão - quem sabe?- talvez servindo para aliviarem os subconscientes de uma pesada e inoportuna, quiçá mesmo danosa, carga que de outra forma não mais seria alijada!

Adiante, porém, que o pretexto destas linhas era o da minha prelecção sobre economia, nomeadamente sobre investimentos.

E dizia eu, em defesa da minha tese ou dama, que nenhum investimento é feito senão na mira de dele ser retirado algum proveito, seja económico, moral ou social e com isto contrariava as posições dos meus dois opositores que invocavam a sua douta sabedoria para rebaterem o que o meu empírico conhecimento dizia ser assim e tal como o afirmava.

Portanto, quando alguém e o próprio Estado faz algum investimento fá-lo na mira de dele obter, no imediato ou a prazo, os benefícios que sobre ele calculou e houve como certos sejam estes económicos ou políticos, mas sempre benefícios para si que não para os outros que deles serão, quando muito, meros actores ou intervenientes necessários. Não será assim?

E por isso me revolta a designação de “investidor” dada pelos senhores jornalistas a certos empresários que de tal fazem sua profissão. A esses eu chamaria de oportunistas, sanguessugas dos necessitados, eu sei lá o quê, mas nunca por nunca investidores porque a serem, tal como se apresentam, então teriam de dar razão ao gesto feito pelo desditoso Ministro da Economia que esse sim, de uma forma transparentemente pública, demonstrou, e bem, ao País o que é “investir”, na acepção taurina do termo, qual brava e forte besta contra quem se não pode defender.

Curiosamente e por isso mesmo, aquele ex-ministro teve, na ocasião em causa e em mim, o mérito de despertar, em simultâneo, dois sentimentos opostos:
- o primeiro, de social condenação por nem sempre ser de bom tom agarramos os touros pelos cornos, com gestos talvez impróprios mas que o tempo se encarregará de desvanecer senão de conferidor talvez a graça de se tornar “ex-libris” muito peculiar – veja-se o “manguito” do Zé Povinho de Bordalo Pinheiro;
- e, o segundo, de total apoio por sentir nele o desassombro e a verdade de não deixar calado aquilo que no peito de muitos de há muito estava quase a explodir por via das graçolas sem graça de quem, demonstrando arrogância demasiada para a sua pequenez política, se permite interromper discursos, raciocínios “fios de meada”, que, uma vez cortados, poderão não dar em nada ou mesmo conduzir a sentido oposto àquele que era pretendido.

Má criação houve, sim, aos olhos dos bons costumes. Mas de ambos os lados. De um, consentido que está pelo mau costume consagrado de serem permitidos os “apartes” na Assembleia (tal como o é hoje o manguito do Zé Povinho) e o segundo porque, sem ainda ser “costume” nem ter consagração alguma – um dia sê-lo-á, disso estou certo – ter deixado que a justa indignação que lhe queimaria o peito se exteriorizasse de uma forma verdadeira mas pouco convencional ainda e com o seu quê de irreverente.

Porém, daí à demissão vai um abismo senão a Assembleia não teria já quase nenhum deputado tão graves têm sido as afirmações difamatórias que reciprocamente se fazem de “mentir” na Casa da Verdade e de “ludibriar” o Povo ao qual e apenas lhes competirá servir e tratar com respeito e dignidade o que por via de regra tantas e tantas vezes é esquecido e bem…

Com isto me perdi do sonho – é o mal dos “apartes” e da falta da tal máquina – mas desde já aqui fica o meu reparo: - se mandasse proibia ios “investidores” de profissão, o casino que é a “bolsa” de valores e já agora os “apartes” no Parlamento os quais, imagine-se, ficam mesmo registados no diário das sessões!...

Talvez para desgraçada e vergonhosa memória futura dos que nos seguirem!
publicado por Júlio Moreno às 17:37
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