Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010

Muito oportuno...

 Mão amiga - como me costumo referir a certos(as) amigos(as) que me não perdoariam, creio, que aqui os(as) identificasse, mas a quem desde já

agradeço pelas multiplas vezes que de mim se vão recordando, sobretudo por saberem do quanto me interesso por temas do tipo do que hoje

aqui decidi transcrever, o que faço, convicto como o estou, de que o assunto é por demais importante e actual para se confinar apenas aos

"poucos e-mails" que o terão recebido (por comparação apenas com quantos o deveriam receber!) e por saber que este meu pobre "blog",

sempre sem comentários!, só aparentemente é desconhecido já que vai sendo lido por muita gente neste mundo imenso da net como o

demonstra o "leitor-contador de consultas e leituras" que, com ele, tenho associado, e que cuidadosamente vejo e ciosamente oculto das vistas

dos meus eventuais crítico-leitores.

 

Pois é assim mesmo. Mão amiga e "pensante" acaba de me enviar o texto que não resisto a vir aqui transcrever por pensar, tal como acima referi,

que ele deverá interessar - leia-se "ser conhecido" - por quantos, se o conhecem em teoria o não aplicam ou aplicaram nunca na prática, pelo

menos eu e pelo menos no que à educação dos meus filhos concerne.

 

Passo à transcrição, à qual não irão seguir-se quaisquer comentários por considerá-los pretenciosos face ao que antes ficou dito e por temer

desvirtuar a lucidez de espírito e a correcta "massa intelecto-corporal" que o magnífico autor do texto nos revela:

 

"PARA  REFLECTIR...

 

                   A Obesidade Mental - Andrew Oitke

 

           Por João César das Neves - 26 de Fev 2010

O prof.  Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revo-lucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.

Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.

«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.

Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»

Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns quede hidratos de carbono.

As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas.

Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.

Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema.

Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»

O problema central está na família e na escola.

«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate.

Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas.

Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»

Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:

«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas.

A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»

O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.

«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»

Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.

«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.

Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy.

Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve.

Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê.

Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».

As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.

«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência.

A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia.

Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.

Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam.

É só uma questão de obesidade.

O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.

O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.

Precisa sobretudo de dieta mental.»""
 

 

publicado por Júlio Moreno às 11:41
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