Sábado, 28 de Agosto de 2010

Onde estamos? Para onde vamos? Nº 1

Procurar explanar o que me assusta neste mundo pseudo evoluído e civilizado e me coloca inúmeras dúvidas e reservas sobre onde estamos e para onde estaremos a caminhar, é o que, pretensiosamente talvez, gostaria que fosse o objecto desta pequena série de comentários que me proponho “blogar” aqui - o meu Avô, Augusto Moreno, que Deus tenha, que me perdoe este neologismo piroso mas de última geração que acabo de utilizar.

Tratarei em primeiro lugar da educação:

Cada vez é maior a delinquência juvenil sem que nada de visível e palpável se faça para lhe debelar as causas que serão por demais conhecidas mas que, dia após dia, maior vem sendo o alardeado empenho – talvez hoje necessidade - de o governo a mascarar ao mesmo tempo que os “media” a promovem pela forma doentiamente persecutória como a tratam no seu exaustivo quotidiano noticioso. Desde já, porém, pedirei desculpa a quem me leia pela, mais do que provável, falta de algumas.

- Começaremos pela quase total ausência de uma sólida cultura familiar que quase desapareceu uma vez que, tanto o pai como a mãe, por força das actuais circunstâncias, vão sendo cada vez menos capazes de as debelar, ou porque não têm tempo – ambos trabalham - ou porque eles mesmos não sabem como educar os seus filhos (e a Loja do Cidadão ainda não trata disso), entregando-os, desde tenra idade, a instituições pseudo sociais, disfarçadas sob a capa de nomes sonantes da actual cultura e inimagináveis tempos atrás, mas ainda não muito longínquos, como: - “berçários, infantários, creches e escolas”, estas a dezenas de quilómetros de distância dos seus lares e dos lugares cercanos que as crianças deveriam aprender a respeitar e a amar mas de que, mais tarde e quando adultos, deles nem sequer se lembrarão! São essas instituições, a esmagadora maioria das quais visando o lucro – e avultado lucro! - servidas por pessoal , na sua grande parte, mal preparado, desmotivado e movido apenas pela necessidade imperiosa de ter um emprego que lhe garanta – ainda que, de facto, sem quaisquer garantias! – o dinheiro necessário ao seu próprio sustento e ao dos que de si possam depender.

- Passaremos seguidamente a uma análise mais detalhada da “Escola”, histórico farol de cultura geral, mas respeitando igualmente a tradicional e local, complemento indispensável dos lares, poucos ou muitos, que, no terreno, a rodeavam e sempre ao alcance dos pais e dos educandos, situada que era dentro do seu circulo de deslocação pelos seus próprios meios e regida por uma das figuras mais notáveis da terra: - o senhor professor ou a senhora professora!

- Essa mesma escola, porém, regendo-se hoje por leis que, não sendo as suas nem visando as suas ancestrais vocações, obedecem, tal como qualquer fábrica, aos novíssimos postulados da actual economia – designadamente da novíssima “economia de escala” - que, embora existindo desde sempre, nos surge hoje elevada à categoria de ciência, quase sacrossanta e dogmática, e tornada necessária pelo descalabro em que caíram os mais elementares conceitos de economia doméstica em que era seu princípio básico o nunca se poder gastar o que se não tem e, o que será talvez mais importante, o de se não poder nunca contar com o que garantidamente ainda se não produziu, afinal, tudo o que hoje surge contrariado pelas poderosíssimas “engenharias” financeiras além das tenebrosas técnicas que formam a “estatística”, a mesma, afinal, que é hoje invocada a esmo por quem se arvora no direito de tudo poder e tudo decidir e  que um saudoso e bom amigo, tristemente já desaparecido, sabiamente definia como sendo “aquilo” (vejam a categoria que ele lhe dava!) que afirmava e concluía que, comprada e cozinhada uma galinha, se eu a comesse toda e ele nada dela, estatisticamente teríamos comido meia galinha cada um!...

- É, pois, assim e ao abrigo destes moderníssimos conceitos, hoje elevadíssimos expoentes civilizacionais, que se fecham escolas quando, como fábricas que hoje são, não derem o lucro previsto e os alunos, meros elementos produzidos ou em fase de precário acabamento, por enquanto “coisas” e só mais tarde “votantes” e, como tal, com muito mais interesse, logo ascendendo à categoria de cidadãos, são encaixotados em meios ambulatórios e mandados para dezenas de quilómetros de distância, sujeitos aos perigos reais da circulação rodoviária actual, por más pontes e más estradas, em veículos velhos e de segurança pouco aconselhável, confiados apenas a condutores mal preparados e, sobretudo, longe do aconchego, seguro e quente, do braço materno, incapaz que este estará de chegar a tais distâncias!

- Hoje, o “aluno” é, pois, mais um “produto” da actual civilização e que, à falta de melhor designação, conserva ainda a mesma que de há séculos lhe vem sendo atribuída: - aluno ou estudante.

- E esse “aluno-produto”, cada vez menos globalmente instruído neste mundo que se diz tão global, por falta não só de tempo mas de verdadeiros mestres que o ensinem em vez de o fabricar, vão sendo posteriormente auxiliados – pode ler-se “afinados” - por maquinismos para o efeito conseguidos – máquinas de calcular e “Magalhães & Companhia” – que os ajudam a pensar e a suprir parcialmente as deficiências que se tornarão cada vez mais evidentes quando confrontados com as tecnologias e os saberes que mais tarde vão ser chamados a interpretar quando frequentarem outras fábricas capazes de formar engenheiros aos domingos, médicos que assistem pelo telefone, advogados, economistas e outros profissionais que apenas se poderão ocupar de política na mais vil e conspurcada das suas múltiplas acepções.

- O “aluno”, assim fabricado, não sabe – como no meu tempo era obrigatório saber-se, o que, quando comparado com o “tempo-história”, não estará assim tão distante! – esse “aluno”não sabe a orografia de Portugal, as serras e os sistemas a que pertencem, nem os rios e os respectivos afluentes, de uma margem e de outra, nem os ossos, os órgãos e os vários sistemas do corpo humano, os caminhos de ferro (só talvez os de alta velocidade, e estes, porque, felizmente, ainda não existem!) e, o que será tão ridículo que quase nos fará chorar, se formam em engenharia sem saberem a tabuada ou mesmo como tirar uma prova dos nove.

- Depois de assim tratado, o aluno surge transformado num profissional que, das duas uma: - ou tem consciência e reconhece que tudo terá de reaprender num supremo teste de vontade e de honestidade; ou, não a tendo, bem poderá aspirar a outras actividades ou ao exercício de novas profissões como a de político - seja em assembleias, seja no governo, seja nas autarquias - ou a lugares de assessoria técnica onde se irão ocupar de infindáveis e bem remunerados “estudos” que não importará concluir já que nunca para coisa alguma servirão .

- Todavia e para além de todos estes ainda haverá os que optam pela delinquência, de colarinho branco, às riscas ou mesmo preto, ficando então sujeitos a serem mais ou menos perseguidos por uma Justiça complacente e desvirtuada, oca, sem horizontes nem pruridos de verdade, ou por uma polícia desarmada, moral, material e legalmente, sem outra vocação legítima que não seja a de passar multas de estacionamento…

- Paralelamente e para olear as máquinas das fábricas de que nos vimos ocupando, existirá ainda uma espécie de “polvo obreiro” formado por alunos treinados em anti-Robins dos Bosques uma vez que a sua função técnico-burocrática será a de tirar, cada vez mais, aos pobres para dar aos ricos…

- E tudo isto a começar na Escola que, dizem as más-línguas, ainda existirá neste nosso País!...

- Mas muitas outras causas haverá como reais determinantes da crescente delinquência juvenil como as da publicidade e constante incentivo a um consumismo exacerbado, fácil  e fútil, mas, na impossibilidade real e prática de as citar ou referenciar aqui a todas, uma mais gostaria de destacar e realçar agora: - refiro-me à que resulta da abolição do serviço militar obrigatório a que a novel democracia pôs termo talvez por entender a sua prática como fascizante ou reaccionária e dando, assim, aos governos a oportunidade ou a pretensão de amealhar os míseros tostões que custaria o fardamento ou o próprio rancho mas sem cuidar de colocar no outro prato da balança o quanto contribuía a “tropa”para formar a juventude, ocupando-lhe o tempo numa das fases mais cruciais da sua vida, formando e desempenando homens que talvez não fumassem tanto haxixe, cansando-lhes os corpos mas libertando-lhes os espíritos, ocupando-lhes a perigosa ociosidade e moldando-lhes o carácter naquela fase tão crítica da passagem da adolescência ao estado adulto e responsável.

- Mas não.

- Para descanso de uns quantos e gáudio de outros tantos é preferível deixar essa mesma juventude consumir desalmadamente extasy e garrafas de cerveja nesses antros de diversão nocturna onde, pelo elevado número de decibéis dos” heavy metal” vão cultivando a surdez e, a par de bebedeiras monumentais, se formam os “gangs” e se estabelecem os planos dos assaltos que hoje a todos amedrontam quando, a tiro, se não matam mesmo uns aos outros ou são inocentes a morrer…

Posto isto, faço boas tenções de me vir a ocupar de outros temas, como os do trabalho, do emprego e dos trabalhadores, distinguindo os que trabalham daqueles que só afirmam trabalhar mas que recebem tanto como se o fizessem…

Parece que estamos aqui. E agora? Para onde vamos? That is the question...

publicado por Júlio Moreno às 17:38
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