Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010

Antes de ter tido tempo…

                 Sim. Antes de ter tido tempo de preparar o novo “post” prometido sobre trabalho, emprego, desemprego e outras coisas mais… de novo uma mão amiga, a quem me cumpre agradecer, e muito, me envia hoje um texto, escrito por um Mestre do qual me absterei de, aqui e abusivamente, divulgar o nome, mas que completa, de uma forma cabal e primorosa, o meu pensamento sobre o assunto: - “ESCOLA”!

Abaixo o transcrevo sem quaisquer outros comentários ou considerações – a que nunca me atreveria – que não seja a de o considerar o “complemento indispensável” de “ Onde estamos? Para onde vamos? Nº 1 “, minha entrada do passado dia 28 de Agosto. Segue, pois, a transcrição:

 

UMA AVENTURA NA ESCOLA

“Sim, sim, Leitor, que espero esteja gozando umas boas férias, pese embora o diabo da crise, isto é a incompetência de largos anos de governação xuxalista (guterrista/socretina), intercalados de não menos incompetente governação barrosista/santanista (o homem até fugiu para Bruxelas, que aquilo, sim é que é vida, moules frites e tudo) simulacro de governo, com o Dr. Jorge Sampaio a intervir quando convinha ao PS, e a Drª Manuela Ferreira Leite a pôr-se de lado, reservando-se para outras oportunidades, que não soube aproveitar, tantos foram tiros nos pés que deu ou deixou dar, naquela subordinação ao cavaquismo presidencial. Ia a escrever quixotismo; era uma enormidade comparar o Cavaleiro da Triste Figura, do genial Cervantes, ao oportunismo da genial personagem, que se diz Presidente de todos os portugueses.

“Sim, sim, Leitor, ia eu a dizer antes desta atempada  divagação estival, infelizmente decorrente de factos verídicos e não de uma qualquer insolação, causada pelo infernal calor que este Julho/Agosto tem trazido.

“Sim, sim, leitor - prometo que é de vez – o título é de muito conhecida obra da parceria Ana Maria Magalhães/Isabel Alçada, incluído na colecção “Uma Aventura”, onde tem o número 8 e vai, pelo menos, na 17ª Edição, que foi a que em tempo comprei para o meu neto André e com a qual, por oportuno acaso, fui dar na estante dos livros juvenis, à mistura com uns velhíssimos Salgaris, vindos da meninice e uns mais velhos Júlio Verne. Tão velhos que registam umas enthusiamantes, e emprehendedoras, phrases sobre a mystificação scientífica que seria o conhecimento da distância Da Terra à Lua, Lua onde Júlio Verne, via “Gun-Club (Union-square21)” pretendia mandar os seus heróis. Mistificação científica que vem muito a propósito do objectivado neste escrito, se puser termo “a esta órbita elliptíca” para onde me deixei arrastar, no antes do tema que propus tratar. Palavreado, dirá o estimado e estimável Leitor – PALAVREADO.  

“Seja. A verdade é que a Isabel Alçada de que falei - e por isso esta irreverente forma de a designar que nada quita à honra e direito que têm todas as Mulheres Portuguesas a exigirem um “Senhora Dona” (já aqui lembrei o porquê, julgo) é a escritora e não a Senhora do mesmo nome que julga ser Ministra da Educação e que, para se convencer que o é, vem se metendo em Aventuras, que não passam de mistificações, grafadas como aprendi, tão falsas como falsa foi a “Viagem feita ao mundo Lunar por Domingos Gonzalez aventureiro hespanhol”, de que deu conta (é Verne que me ensina), em 1649 João Baudin.

“Mas, com a devida vénia à escritora e à tão esquecida Ana Maria Magalhães, o título da obra adapta-se que nem uma luva à acção ministerial, especificamente à última aventureira “mystificação scientifica” – o acabar com os chumbos na Escola portuguesa – medida tão de rir, se trágica não fora, como a visão de Loche, num panfleto que nos diz haver na Lua “hippopotamos, verdejantes montanhas franjadas de oiro, brancos cabritos montezes e até habitantes com azas membranosas como os morcegos”  Uma diferença, porém. Das mentiras do folheto publicado em 1849 “riram-se os franceses”. O que então significava: riu-se o MUNDO. Nas “mystificações” da sorridente personagem ministerial há quem acredite, apoie e até aposte: a maioria socretina da Assembleia da República, pelo menos, isto se o PSD do jovem dr. Passos Coelho não se lembrar de acreditar também ou, não acreditando, mas em nome de não abrir uma crise política, votar a favor, como fez, permitindo tudo isto, ao votar a “lei da Avaliação”, cumpliciando-a. Cumplicidade de que também não está isenta a FENPROF pelo acordo com a ministra dos sorrisos.

“A imaginação da ministra pode ser brilhante ao escrever centenas de Aventuras nos mais díspares locais ou pelas mais diversas razões, mas é criminosa nesta infeliz Aventura na Escola onde se meteu e nos meteu. Na ficção tem direito a tudo (não esqeçamos que até Poe ficcionou a chegada do Homem à Lua), mas na realidade do processo educativo português não podemos permitir mais Aventuras. Nós, Povo; o Governo; a Assembleia da República; o Senhor Presidente da República se verdadeiramente lhe interessa Portugal. Infelizmente a coisa vai. Criminosamente, desprestigiaram-se os Professores. Desertificou-se o país, fechando Escolas numa mistificação dita para favorecer a aprendizagem, mas que mais não é que o eduquês em plenitude total. Na mesma linha ignorante ou sabiamente economicista criaram-se (nunca é de mais insistir) gigantescos Centros Educativos ao arrepio do pedagogicamente viável a que acresceram os “mega-centros”.

“Mas a grande aventura acaba de chegar com a proposta de acabar com os chumbos nas escolas. À cara dos papalvos atira-se que é para seguirmos o que de melhor se faz de educação por esse mundo. O inefável cabotino do Senhor Aníbal (ou lá como se chama o homenzinho que fizeram, por comodidade ou desinteresse – outra razão não vejo - presidente de uma dita Associação de Pais) acha bem desde que se entenda Escola como grande armazém onde se depositem  crianças e jovens para os pais poderem trabalhar, namorar ou passear livremente. Tudo está bem. Se acrescerem um canudo, melhor. Mas não é só o Senhor Aníbal (ou lá como se chama o homenzinho) que está nessa. Os socretinos abanam a cabeça e repetem que é como se faz lá fora, sim Senhor. Boa malha, Senhora Ministra!

“MENTIRA – “mystificação scientífica”. O Professor Doutor Santana Castilho mostrou magistral e documentadamente no Público de 4 de Agosto corrente, que tudo não passa de uma ignorante grosseria. Lá fora não é assim! Bem pelo contrário. Mas a sorridente Senhora, que julga ser ministra, e os acólitos do economicismo ignorante continuam na deles – liquidar a Escola, tarefa a que já denodadamente se entregara a ministra Dona Lurdes, entachada e agraciada por isso.

“Quer a ministra dar excelência ao Ensino, ao Processo Educativo, à Escola? Quer acabar com alguns chumbos, pois nunca poderá erradicar a totalidade do não falhar – ensinava há muito, Gauss, cuja expressão de normalidade (Curva de Gauss - média e desvio padrão) foi desenvolvida por Abraham de Moivre; disse-o, mais modernamente, Radice e ensinam hoje todos os verdadeiros Pedagogos? Quer?

“Em primeiro lugar reponha a dignidade dos Professores. Forme-os capazmente. Esqueça o “eduquês” e o “pedagoguês” Retire-lhes toda a carga burocrática com que foram esmagados. O Professor deve ser um Pedagogo, não um burocrata, um manga-de-alpaca. Abra, na medida do lógico e pedagógico, as pequenas Escolas do interior. Legisle no sentido de os Professores as ocuparem, as viverem e se lhes darem. Motive-os para a docência do POVO. Fá-los-á respeitados, desejados, queridos. Equilibre as outras. Acabe com os grandes centros [des]educativos. Reveja currículos. Repudie o facilitismo que gera indisciplina. Tenha em conta que a Escola não é um armazém, mas um local onde se deve promover a felicidade do aluno, ser humano, através do saber e da consciência de que lá fora não é melhor. A Escola tem de "Ensinar a SER. [E assim,] antes de tudo, ser” (Sebastião da Gama – Diário). Ouça quem sabe. Não ficcione, não invente, não mistifique e sobretudo não minta. Relembre outra vez esse místico da Educação que foi Sebastião da Gama (a Isabel conhece-o): Mais que não ser ignorante, importa não ser mau, nem desonesto, nem impuro…" A Dona Lurdes e o Pedreneira eram-no. Walter Lemos um acomodado poço de ignorância travestido de pseudo saber, como hoje, em outro cargo, ainda é. Os três liquidaram a Escola. Não cumplicie. Não seja, aqui, Aventureira, deixe as Aventuras para os seus apreciados livros.

“É altura de dizer basta!!

“Infelizmente a hora tarda. Como lembrava um e mail da net “não somos [um povo] pacífico, mas sim [acomodadamente] passivo”.

“Urge que se desfaça o nevoeiro, hoje mais denso ainda, a que Pessoa reduzia Portugal.

“Como cantava outro poeta; “A pé e às armas, nesta hora baça” É urgente “nova manhã de Ourique””.

publicado por Júlio Moreno às 12:56
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