Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010

Ontem limitei-me a transcrever sem comentários mas hoje…

 

Perante o que os meus olhos lêem – por enquanto ainda vou “vendo” e podendo entender o que leio! – mas, sobretudo, perante a insistência com que a notícia é dada (hoje novamente, no PD da IOL) sem que se vislumbre a mais leve perturbação acerca do modo como o nosso distintíssimo Governo, o nosso primeiro e o nosso segundo (leia-se aqui “das Finanças”) terão reagido ou irão reagir ao facto “escandaloso” de termos uma Empresa do Estado que desafia descaradamente o patrão, perante a passividade deste  - se calhar já sem autoridade para intervir! - ao não cumprir as suas ordens de contenção de despesa já dadas e constantemente reiteradas a milhões de portugueses, não me coibirei hoje de comentar aqui e de dizer o que penso após o que transcreverei, como é meu hábito – péssimo hábito, diga-se -  a notícia em causa.

Assim:

1º - Quatrocentos carros topo de gama equivalerão, no mínimo, a quinze milhões de euros, tanto quanto quinze milhões de medíocres subsídios de Natal – de mil euros cada (o meu pouco passa dos quinhentos)! – quase o dobro dos que serão pagos em Portugal no corrente ano.

2º - Curiosamente a classe “topo de gama” definida pelas Águas de Portugal diverge profundamente da adoptada por todas as organizações ou organismos com competência na matéria que começam por considerar “topo de gama” a própria modernidade aliada, como é natural, à respectiva marca,  cilindrada e valor de custo!

3º - As Águas de Portugal – como o Banco de Portugal e tantas outras Instituições que aqui não menciono porque as ignoro mas que seguramente existem! – permitem-se legislar em causa própria  ao abrigo de Estatutos que para si mesmas produzem e constantemente invocam mas que abertamente colidem com o que se encontra prescrito para as demais empresas não eleitas (enteadas) do País atribuindo-se, a si e aos seus colaboradores, regalias e benefícios que o comum dos cidadãos não possui mas que – e isso é que será o mais importante – estes pagam através dos Impostos que o descaramento do Governo que temos vai ao ponto de, em obediência a não sei quem da estranja e com medo do FMI, agora no meio da sua total desorientação – antes, passividade e laxismo - novamente pretende aumentar!

4ª – Será que tudo isto tem alguma coisa a ver com os polícias que, representados por nove sindicatos, hoje estão na rua,?

5º Será que tudo isto tem a ver com a antecipação de reformas pedidas pelos médicos portugueses e com a agitação contínua de professores?

6º - Será que isto tem a ver com a notória e já muitas vezes notada falta de um português, um só, que saiba dizer “BASTA!” sem ser o musical “não” do poeta que quer ser presidente?

- Caramba!... Onde estão os Portugueses que deram Mundos ao Mundo, que venceram Aljubarrota, passaram o Cabo das Tormentas e expulsaram os Filipes e os Napoleões? Aqueles que, com honra e glória, souberam bater-se em” La Lys” quando muitos debandavam na presença da derrota eminente, mas onde o “Milhões” ficou, agarrado à sua metralhadora, dando cobertura e protecção aos que fugiam, ao ponto de ser admirado e louvado no campo de batalha pelos próprios inimigos que, ganhando, perante a sua bravura se curvaram!?

- Será que vamos continuar a deixar que um bando qualquer de medíocres políticos nos desgracem para as décadas vindouras – para os meus netos que, a mim, já pouco mal poderão causar! – sem que haja alguém que os refreie e, uma vez por todas, os meta na ordem e lhes ensine o que é democracia que tanto apregoam mas de que nada sabem?

- Será que já não há em Portugal Poder algum que obrigue tais senhores a mostrar a sua verdadeira face (que só muito vagamente se presume ainda oculta!) e os obrigue a prestar as contas que, já de há muito, devem ao País?

Sempre fui contra o Nobel da Literatura entregue a Saramago que, como já disse, sempre considerei um homem lúcido e de “ideias”. Daí que talvez o Nobel da Ideologia lhe assentasse bem melhor que o da Literatura onde as frases, embora cheias de conteúdo, não emergem do papel por falta de vírgulas e de pontos!

Num aspecto porém estou quase a concordar com ele: - talvez fosse melhor que este pobre País se acolhesse de novo, choroso e frustrado, ao regaço maternal daquela que um dia já foi a sua mãe: a velha Ibéria!

Transcrevo agora a notícia de hoje que já o era ontem:

“400 carros topo de gama: empresa pública não está em crise

“Águas de Portugal não considera que os seus carros personalizados sejam topo de gama e diz que as finanças da empresa estão bem  - PorRedacção  CPS  - 2010-09-23 10:41

“Os gestores e quadros intermédios das Águas de Portugal estão a receber novos carros. A empresa conta com 400 viaturas personalizadas e só este ano, já foram substituídos 34 carros. A empresa explica: é que, apesar de o país estar em crise (especialmente as contas públicas), esta empresa (pública) não está. “- A notícia foi inicialmente avançada pelo «Correio da Manhã». O jornal escreve, na edição desta quinta-feira, que a maioria dos carros personalizados da empresa são de gama alta, que só o presidente gastou quase 13 mil euros com o automóvel e que só no final do primeiro semestre deste ano, contabilizavam-se 1.190 viaturas de serviço contratadas em regime de Aluguer Operacional de Viaturas (AOP), das quais 388 são viaturas personalizadas. “-Mas, em esclarecimentos prestados à Agência Financeira, a Águas de Portugal (AdP) faz questão de esclarecer que não considera os automóveis em causa como sendo «topo de gama». Porque, refere, «a cilindrada média das viaturas de serviço personalizadas situa-se entre 1.2 e 2.0». “-Apesar da crise que o país atravessa, a empresa parece não ver problema nos gastos porque «o Grupo AdP apresenta um balanço equilibrado do ponto de vista económico e financeiro». “-A empresa do Estado esclarece que «o objectivo do Grupo é diminuir em 30% os custos unitários com viaturas nos próximos 3 anos». “-Estes veículos são alugados em regime de aluguer operacional, para uso pessoal e profissional, esclarece ainda. “-«Existe uma tabela de viaturas, que é definida semestralmente com base em premissas de custo, níveis de emissão de carbono, consumo médio misto, cilindrada e cavalagem, que integra 8 níveis, designadamente desde veículos híbridos (Toyota e Honda), Skoda Fabia, Renault Megane, VW Golf, Opel Astra, Renault Laguna, Citroen C5, Audi A3 e BMW 320. Em relação aos administradores das empresas do grupo - que incluem as viaturas Audi A4 e BMW 320 -, e em cumprimento rigoroso do disposto no Estatuto dos Gestores Públicos, é da competência exclusiva da Assembleia-geral a atribuição e fixação da respectiva viatura que determina a viatura a atribuir», explica ainda a empresa à AF. “-Mas nesta frota (de cerca de 400 carros) não estão incluídos os carros de trabalho como por exemplo as carrinhas de piquete.""

Vergonha, vergonha, é o que me apetece dizer…

publicado por Júlio Moreno às 12:50
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