Sábado, 8 de Janeiro de 2011

Olhai, Senhores, o Portugal de outras eras!...

Mais uma vez se vão disputar eleições para a Presidência da República e vários são os candidatos que, ao abrigo do seu indiscutível direito democrático, se perfilam hoje para as disputar gastando o seu tempo, indestrutível porque existirá precisamente para isso mesmo, para ser gasto e consumido, por inteiro, na vacuidade dos seus fastidiosos discursos. E são eles, se não erro:

- Cavaco Silva, o economista, ex-primeiro ministro, Presidente ainda em funções e português sério, convicto e competente embora dado ainda a demasiados tabus e, talvez por isso, a uma actuação demasiado lenta que, tardando em demasia, correrá o risco de poder tornar-se inútil…

- Manuel Alegre, poeta de profissão, locutor nas horas vagas e que ainda se não deu ao trabalho de desmentir as gravíssimas afirmações que, sobre si, são proferidas pelo Major-general Paula Vicente, piloto aviador e por Aníbal Pinho, como ele, piloto-aviador, que o acusam de crime e de traição à Pátria, doutor (título que não terá mas que, como vem sendo hábito no partido a que pertence, não enjeita, já que, ao que sabemos, só terá frequentado, em Coimbra, o terceiro ano de direito), perdido que andará à procura de acções e de cheques de que a sua atrofiada memória já não consegue recordar devidamente…

- Fernando Nobre. Ilustre médico fundador da AMI,  nascido no Ultramar e completamente deslocado neste imbróglio político onde aparece como figura ingénua apenas para ocupar espaço e, porventura, satisfazer algum misterioso e ainda não identificado desejo do seu ego pessoal…

- Defensor de Moura, estranhíssima figura de uma política ultra duvidosa que, por estranha e impenetrável coincidência, terá deixado a medicina para se dedicar a tempo inteiro à politiquice talvez daqui resultando o não ser nem bom nem fiável quer num mister quer no outro…

- Um tal outro senhor de seu nome Francisco Lopes, montador electricista de profissão, devotado deputado do PCP, herdeiro do linguarejar próprio do defunto Álvaro Cunhal e cujas ideias, caducas, bolorentas e defuntas, também elas, monocordicamente ditas, mais uma vez afloram neste lodaçal político de um Portugal dito democrático mas que se me afigura “doente”, muito mais do que o estaria ao tempo da muito mal explicada ainda revolução dos cravos…

E, para completar a panóplia de candidatos:

- Veio da Madeira um pastel estranho quando o que por lá é conhecido, e apreciado, é o bolo de mel e não o pastel de Belém!...  

Perante tudo isto apetece-me distorcer e, como que parafraseando Eça de Queiroz, dizer que a eleição do Presidente da República não deve ser considerada como algo de especial na vida da nação portuguesa mas tão somente um mal de que, como se gripe fosse, ela sazonalmente padece sem que, para isso e desde o regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, que veio a culminar, a 5 de Outubro de 1910, com a implantação da primeira das já várias Repúblicas que temos tido, sem que, dizíamos, se tenha encontrado a verdadeira cura que, ao que tudo indica, somente será encontrada – e os meus avós materno e paterno que me perdoem! - quando, regressando ás velhas lições e tradições do passado, se entender que a democracia também pode ser vivida em monarquia como o vêm demonstrando a Espanha, a Inglaterra e os ditos civilizadíssimos países do norte europeu  e tudo isto porque as repetitivas e desinteressantes perorações políticas dos candidatos mais se vêm parecendo com os antigos cantares de escárnio e de maldizer do tempo de D. Dinis do que proclamações lúcidas e verdadeiramente úteis para o País, nesta altura empobrecido até à penúria porque deu o seu sangue a filhos tão dilectos e tão modestos que hoje, além de outras coisas, até o seu paradeiro se ignora ou, nalguns casos, convirá ignorar-se!...

Ah! Homónimo meu da antiga Roma quanta razão tinhas tu quando analisavas a nossa verdadeira índole! Será que, do teu túmulo poderás, um dia, erguer ainda a tua voz para profetizar o nosso futuro?

publicado por Júlio Moreno às 11:58
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