Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011

Perguntas feitas à “queima-roupa”…

Já referi aqui ontem o meu relacionamento com o então General António de Spínola e como decorreu, por mero acaso, o início desse relacionamento que a muitos outros episódios veio a dar lugar os quais, tal como então prometi, a seu tempo aqui irei referir certo, como estou de que alguns, irão soar com algum estrondo em certos ouvidos menos aptos a certos decibéis.

Hoje – e tal como intitulei este meu post – referirei apenas aquela sibilina pergunta que, no decurso de um brevíssimo intervalo numa das várias reuniões de trabalho que, pela manhã, passei a ter com o General, ele, subitamente, me fez:

- Que pensa você do Ultramar?

Um pouco surpreendido pela pergunta, não só pelo seu teor mas, sobretudo, porque nada do que estávamos a tratar a faria sequer prever, confesso que hesitei um pouco ao responder-lhe. Todavia, como nunca fui muito lento a responder nem dado a temperos nas respostas que devesse dar na hora em que a elas devesse responder, disse-lhe o que, de há muito e muitas vezes, a mim mesmo já tinha respondido.

- Meu General, relativamente ao Ultramar e às nossas províncias ultramarinas penso que, tal como os filhos não precisam de autorização paterna para ascenderem à maioridade, quer os pais queiram ou não conceder-lha já que é a própria lei que lhas dá a partir dos 21 anos, assim também as províncias do ultramar deverão ter acesso à auto-determinação e à independência independentemente da nossa vontade em lha conceder ou não, restando apenas saber se ao fim de 21 anos, 21 dezenas de anos ou mesmo de 21 séculos… A nossa “habilidade” estará na forma como as tenhamos educado para que, em chegada essa hora, continuarem a ouvir os nossos conselhos, que serão os conselhos da mãe-pátria, e, seguindo-os ou não, continuarem a dispensar-nos o melhor do seu carinho e acolhimento filiais…

Após alguns breves momentos de reflexão, creio que o ouvi dizer como que falando consigo mesmo:

 - Sim, sim… será isso…

Talvez já nessa altura estivesse a escrever as suas notas para o “Portugal e o Futuro”.

publicado por Júlio Moreno às 19:22
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