Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

O Ministro

Se fora um escritor certamente que estava hoje a dar o primeiro passo para vir a acumular fortuna já que de há muito que me não sentia com tanta propensão para escrever (como sei e como posso) como hoje. Acho que vou aproveitar a veia para contar mais um episodio acontecido na velha “Custódia” ainda no começo e nos nossos escritórios da Avenida Infante Santo, em Lisboa.

Tínhamos a empresa no mesmo prédio onde morava o então Ministro dos Negócios Estrangeiros, RP – que ocupava ambos os sextos andares, o esquerdo e o direito, enquanto que nós ocupávamos os terceiros, esquerdo e direito e também o rés-do-chão - pelo que era frequente as raparigas do escritório deslocarem-se, por razões de serviço, entre o rés-do-chão e o terceiro andar e, por consequência, eram também frequentes os encontros ministeriais.

Ora o Ministro andava normalmente sobraçando  enormes quantidades de pastas e de dossiers, que transportava de casa para o carro e do carro para casa, não sendo raras as vezes que ele mesmo, dispensando o motorista, conduzia o Mercedes que tinha para o seu serviço.

Um belo dia, porém, ia acontecendo um terrível incidente diplomático quando, estando já no elevador e preparada para subir, uma das moças que comigo trabalhavam, bem engraçada, por sinal e não menos atrevida (no bom sentido da palavra, entenda-se), ao ver o Ministro que chegava esperou por ele e abriu-lhe a porta para que entrasse o que RP terá feito com agrado pois vinha carregado, como de costume, com pastas e dossiers.

- O senhor Ministro não poderia encolher um pouco mais a barriguinha – disse-lhe ela, já que ele era um homem avantajado e já com um ventre de certo modo proeminente, quando ambos se encontravam dentro do elevador e a porta da pequena cabina fora já fechada – É que assim iríamos um pouco mais à larga… - completou ela no mais completo à vontade, como normalmente acontecia.

RP, porém, não deve ter gostado da “graça” e, diz ela que, um tanto rudemente, lhe terá perguntado com o seu jeito característico de carregar nos “erres”:

- E a menina, se não fosse parrvinha, o que gostarria de serr?

- Ministra dos Negócios Estrangeiros… – terá sido a sua pronta resposta.

Soube do incidente porque depois mo contaram e, mais tarde, não deixei de repreender a moça pela falta de diplomacia que tinha demonstrado. No entanto nenhuma reclamação ou queixa chegou às minhas mãos.

publicado por Júlio Moreno às 20:48
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